domingo, 13 de dezembro de 2009

As Asneiras do Filme do Al Gore

(Reformatado em 2010-5-1)
O Gore é um desastre. Ia dizer asno, mas contive-me e não disse. Vamos ver as asneiras do filmezito dele, expostas em scienceandpublicpolicy.org/monckton/goreerrors.html (C. Monckton, 35 Inconvenient Thruts).
Eu sei que vocês todos sabem bué de Inglês, mas eu vou traduzir à mesma.
O filmezito do homenzito Gore foi proibido de passar nos liceus dos UK por ter demasiados erros e ser considerado doutrinação. O juiz parou aos nove erros, e disse que chegava.

1. O nível do mar vai subir seis metros
Isso devido à fusão da Groenlãndia ou da Antártida Ocidental. Ora mesmo segundo o IPCC, que é o mais favorável que há à tese do aquecimento global [AG] (é quem o fabrica, vivem disso, são pagos para isso e se acabar vão para o desemprego), o valor para os próximos 100 anos está algures entre os 6 e os 43 centímetros. Não é o mesmo que seis metros, é entre 100 vezes a 14 vezes menos.
O mesmo IPCC diz que a temperatura terá de estar 5,5 ºC acima da actual durante vários milénios para fazer derreter todo o gelo da Groenlândia. Milénios.
O nível do mar tem aumentado continuamente, e sempre à mesma taxa, desde 1860, muito antes de qualquer uso de combustíveis fósseis ou de se falar de aquecimento global. O aumento médio do nível do mar, por século, tem sido de... 4 pés, cerca de 132 cm, pouco mais de 1 cm por ano.
Ainda o célebre IPCC da ONU, que dá de comer a (quase) toda a gente que diz que há AG e de lá come, diz que a probabilidade de a actividade humana estar a influenciar o aumento do nível do mar poderá ser à volta de 50%.
É muito claro que nem o Al Gore acredita no que diz. Em 2005, comprou um apartamento de quatro milhões de dólares em S. Francisco, na St. Regis Tower, Fisherman's Wharf, a poucos pés da linha de água (aqui).

2. As ilhas do Pacífico estão a afundar-se
Verdade, alguns atóis estão a afundar-se -- as populações dinamitaram-nos (Ilhas Carteret) ou andaram a extrair água doce em excesso. Quanto ao resto, os pessimistas do IPCC prevêm que o mar suba 30 cm até 2050. Mal dá para molhar os pés, é como se fosse um degrau no Cais das Colunas.
Nos UK e no Bangladesh, p. ex., há movimentos tectónicos que estão, de facto, a baixar a terra (e não a fazer subir o mar).
Em Tuvalu, a subida anual do mar não chega a 1/4 de milímetro. 25 mm por século?
Nas Maldivas, onde o nível do mar está o mesmo há 1250 anos (e raramente foram mais baixos), uma árvore cujas raízes estavam apenas a poucos centímetros da linha de maré foi arrancada por ambientalistas australianos. Era uma prova demasiado visível de que o nível do mar não subia como os rapazes queriam. Passou a ser uma prova da sabotagem ambientalista e da forma desonesta como os ambientalistas manipulam as provas que os contrariam.
Ansiosos por protagonismo o governo das Maldivas fez agora uma reunião subaquática, e diz que se as conversações de Copenhaga falham, vão todos morrer (aqui), e que vão comprar umas terras na Austrália para ir viver. Isto não obstante ser a geologia de fundo das Maldivas das mais estudadas, e isso recentemente, e ser garantido que os corais crescem sempre mais depressa do que o mar sobe. Estes rapazes das Maldivas precisam mesmo de publicidade.

3. A circulação termossalina vai parar
Diz ele que a circulação termossalina pára e manda a Europa para uma Idade do Gelo (coisa que, note-se, dificilmente é um aquecimento global, se é que entendo?)
As observações (2006) mostram que aumentou e é mais forte que em 1980. É perfeitamente aceite que a circulação termossalina não pode ser parada pelo aquecimento global.

4. O aumento de CO2 faz aumentar a temperatura
Diz ele que nos períodos interglaciares a subida do CO2 fez subir a temperatura.
Foi ao contrário: o aumento de temperatura foi antes do aumento de CO2. A própria documentação usada por Gore diz isso. Com a excepção de um único artigo, toda a literatura é unânime a este respeito.
A avaliação do efeito de uma variação de 100 ppmv de CO2 na temperatura é 10 vezes maior para Gore que na literatura científica.

5. As neves do Kilimanjaro estão a derreter
Sim, claro. O glaciar Furtwangler começou a derreter há 125 anos, e derreteu a maior parte do seu gelo até 1936. Isso deve-se a flutuações do clima com período longo e à deflorestação. A temperatura no cume do Kilimanjaro mantém-se abaixo de zero e não subiu nos últimos 30 anos. Ou seja, está bem, obrigado.

6. O lago Chade está a secar
Está sim senhor. Já tinha secado antes, nos anos 8500, 5500, 1000 e 100 AC. Actualmente, é devido a uma mudança na forma de fazer agricultura.

7. O furacão Katrina resultou do AG
E há aumento na quantidade e força dos furacões.
O número de furacões no Atlântico é estável há cinquenta anos. O número de tufões desce. O número de tornados tem aumentado porque houve melhorias nos sistemas de detecção.

8. Os ursos polares vão morrer por falta de gelo
Morreram quatro ursos polares, em 2005, no mar de Beaufort, por se terem afogado durante uma tempestade. Por sinal, o gelo no mar de Beaufort até tem aumentado nos últimos 30 anos.
Os ursos polares são animais de sangue quente, e também não se dão bem com o frio. Têm aumentado onde a temperatura aumenta, e diminuido em número onde a temperatura diminui. Os ursos polares sobreviveram ao útlimo período interglaciar, em que a temperatura era 5 graus superios à actual e talvez nem houvesse gelo nenhum no Árctico.
Têm desaparecido por serem caçados. Mas diz-se (diz-se!) que, nos últimos anos, a população de ursos polares aumentou 4 a 5 vezes.

9. Os recifes estão doentes
Mas não por causa do AG -- essa doença foi causada pelo El Niño de 1998, tal como antes, ao longo dos últimos 250 anos.


10. 100 ppmv de variação de CO2 derretem gelo de quilómetro e meio
Gore sobrestima a subida de temperatura cerca de dez vezes mais que o próprio IPCC. Este avalia que uma subida de 180 ppmv (partes por milhão em volume) para 280 possa produzir uma variação de 1,2 ºC.

(11-13: Repetições de coisas já tratadas)

14. Os seguros estão a pagar mais prémios de tempestades
Não. Até a Lloyd's teve um lucro recorde em 2005.
Mas, se quiserem que eu diga, o gráfico não me convence.

15. Mumbai (Mombaça, em português) com cheias
De alguma coisa será, mas não é da chuva nem, portanto, do AG. A precipitação tem estado estável desde há 48 anos.

16: outra repetição

17. O sol aquece o Oceano Ártico
É a atmosfera que aquece o oceano Ártico; não é o Sol. O Gore também baralha tropopausa com ionosfera e mostra que não percebe nada do que anda a dizer.

18. O Ártico aquece mais depressa
Os ursos polares agradeciam, mas não é verdade. O Ártico arrefece há 60 anos, e está mais frio um grau hoje que nos anos 40 do séc. XX. Vários barcos ficaram presos no gelo em 2007, mas os jornais não falam destas coisas.
Em contrapartida dizem que a Passagem do Noroeste estava sem gelo em 2007, e que é a primeira vez que isto acontece desde que há registo.
Os registos de gelo do Ártico começaram há 29 anos. A Passagem do Noroeste esteve livre de gelo e navegável também em 1903 e 1945.

19. O gelo da Groenlândia está instável
O gelo da Groenlândia aumenta 2 polegadas (aprox. 5 cm) todos os anos. Aguentou-se durante três períodos interglaciares, cada um com uma temperatura 5 ºC superior à atual, e concentrações de CO2 de mais do dobro da atual. A última vez que derreteu foi há 8.500.000 anos.
O gelo da Groenlândia está relacionado com a actividade solar, mas não com as concentrações de CO2.
O pessimista IPCC diz que para derretar o gelo da Groenlândia são precisos vários milhares da anos com uma temperatura 5 ºC superior à actual. O mais certo é que isso nunca aconteça.

20. As águas do degelo dos Himalaias estão a diminuir
... e 40% da população mundial depende delas.
O gelo dos Himalaias nunca derrete. É o derreter da neve que fornece a água do degelo. A água de neve, na Eurásia inteira, nunca diminuiu nos últimos 40 anos.

21. Os glaciares do Peru estão a desaparecer.
Diz ele que há um glaciar do Perú que é mais pequeno que em 1940 e que isso é do Aquecimento Global Antropogénico Catastrófico (AGAC). Não está a desaparecer. Excepto nos picos mais altos, o estado normal da cordilheira dos Andes é sem nenhum gelo desde há 10000 anos.

22. Os glaciares de montanha estão a desaparecer no mundo
Aqui ele tem razão! Isso começou em 1820, muito antes de qualquer aumento significativo de gases de estufa, e tem continuado a uma taxa uniforme, sem qualquer aceleração, até agora. O volume total de gelo nos glaciares, em três das quatro idades do gelo, foi menor que o que agora existe. O AGAC não tem nada a ver com isto.  

23. O deserto do Sahara está a secar
Diz ele que tragédias horríveis estão a acontecer no Sahara meridional por causa do AGAC. Ora em 2007 a chuva nessa área atingiu um máximo recorde. O deserto, nessa área, encolheu 300.000 quilómetros quadrados devido à chuva, nos últimos 25 anos. Alguns cientistas até dizem que o AGAC, a haver, vai facilitar a vida no Sahara, por permitir mais quantidade de vapor de água na atmosfera. Até 1200 DC havia frequentes e importantes secas nas Grandes Planícies. A partir daí, tem havido mais chuva.
De forma semelhante, os EEUU tem tido mais chuva desde 1950 do que na primeira metade do séc. XX, quando eram frequentes as grandes secas como as descritas por Steinbeck. A chuva na parte meridional de África também é mais estável na segunda metade do séc. XX, quando ele diz que o AGAC se tornou mais significativo.  

24. Camada de gelo da Antártida Ocidental está instável
A maior parte da recessão desta camada de gelo ocorreu nos últimos 10.000 anos e sem qualquer interferência da humanidade. Em 2007, pelo contrário, a área de gelo antártico sobre o mar atingiu um máximo recorde dos últimos 30 anos. De facto, na maior parte da Antártida, o gelo está a ficar mais espesso. A temperatura média da Antártida desceu nos últimos 50 anos, de tal forma que causou danos ambientais por uma queda que atinge até 2 graus centígrados.  

25. As plataformas de gelo da península Antártica estão a partir-se
Diz ele que uma boa meia dúzia de placas de gelo do tamanho de Rhode Island se soltaram da Península Antártica. Sim, e isso já aconteceu antes. Além disso, todas essas placas, somadas, não ultrapassam um nono da área de Portugal, o que dificilmente tem significado. Entretanto, a Península Antártica é só 2% da área do continente, e em todo o continente o gelo aumenta. essas placas são apenas um fenómenos local à Península Antártica.  

26. A plataforma Larsen B soltou-se devido ao AG
Daí ele foca-se na plataforma de gelo Larsen B. Ora, ver acima. Há 10.000 anos que as plataformas se soltam. Desde a Pequena Glaciação, no séc. XV, que se têm partido. Olha que descoberta!

27. Os mosquitos estão a aparecer a maiores altitudes
Nope. A maioria dos surtos recentes de doenças com mosquitos tem ocorrido a altitudes mais baixas que há um século atrás. Diz ele que Nairobi foi fundada a 1000 m de altitude para não ter mosquitos: mentira. Nairobi sofreu 10 surtos de doenças a mosquitos antes que o Aquecimento Global Antropogénico Catastrófico (AGAC) tivesse sido criado. Um deles ocorreu em Eldoret, a 3000 m de altitude.
O mosquito da malária só precisa de 15 graus C para se reproduzir, não é propriamente tropical! O maior surto de malária conhecido foi na Sibéria, nos anos 20-30 do séc. XX, e chegou até ao Círculo Polar Ártico. Morreram 600.000 pessoas, 30.000 em Arkhangelsk.

28. Muitas doenças tropicais estão a espalhar-se devido ao AG
Diz ele que tal como com a malária, estão a espalhar-se o dengue, a febre da carraça, a do Vale do Nilo Ocidental, a gripe das aves, certas estirpes de E. coli, o hantavirus, legionella, leptospirose, o diabo a quatro. Nada disso. Para começar, só as primeiras quatro têm vectores insecto, e mesmo assim nenhuma é tropical; o resto não precisa de insectos e assim é insensível a mudanças de temperatura.

29. Vírus da Febre do Nilo Ocidental a espalhar-se nos EEUU
Treta, ver 28. O clima dos EEUU tem locais em que é dos mais quentes da Terra. Mas o vírus sobrevive em qualquer clima. O mosquito dá-se nos tropical e temperado, e existe em quase todos os EEUU.

30. O dióxido de carbono é um poluente
A coisa mais ignorante que já ouvi nas últimas décadas. O CO2 é um componente normal da atmosfera e da respiração animal, e é indispensável as plantas. Se aumentasse 30 vezes, nem a mais delicada das plantas se ressentia -- CO2 é comida! As florestas dos EEUU estão a crescer a velocidades recorde precisamente pelo aumento do CO2.

31. A vaga de calor de 2003 na Europa matou 35.000 pessoas
Verdade. E no ano seguinte uma vaga de frio nos UK matou 20.000 -- só nos UK, repito. O aldrabão-chefe do IPCC/ONU diz que morrem 150.000 pessoas por ano devido ao aquecimento global; mas não diz quantas é que não morrem por as temperaturas não descerem tanto!
Só nos EEUU, anualmente, estima-se que morram menos 174.000 pessoas anualmente devido ao frio só porque o frio já não é tanto. Acontecem vagas de calor mais intensas que a de 2003, e de frio, com regularidade. O vulcanismo e fenómenos como o El Niño têm mais significado a determinar estes fenómenos que qualquer AG.

32. Ele há passarinhos a morrer de fome
O passarinho é o "pied flycatcher"; e quem quiser que traduza. Diz o Gore: a chegada das aves migratórias, há 25 anos, era a 25 de Abril. As crias nasciam a 3 de Junho, mesmo na altura em que as lagartas estão a sair e lhes servem de comida. Mas com 20 anos de AG as lagartas passaram a sair duas semanas mais tarde, e os passarinhos morrem de fome.
Realmente, é pena. É pena também todas as pessoas que estão a morrer de fome, em Portugal e no mundo, por causa de especuladores como o Al Gore.
Mas pensemos mais, então, no que nos mandam, que é o passarinho. A lagarta, primeiro: ficou cheia de sorte, e as borboletas também agradecem. O passarinho é que nos emociona, é um pena. Vamos já todos ser vegetarianos, para não comer bife de vaca, para não produzir metano, para não produzir AG, para o passarinho poder comer e as lagartas morrer e não haver essa horríveis borboletas a esvoaçar por aí na Primavera.
Mas o passarinho em questão não é tão parvo como nós: limitou-se a fazer os ninhos umas dezenas de quilómetros mais a norte e a apanhar as lagartas na altura certa. A ser feliz a a mandar-nos àquela parte, como sempre fez.
Não devemos interferir com a Natureza, e isso inclui tentar preservá-la baseados na nossa presunção, ignorância e complexos doentios de superioridade.

33. As cenas mesmo descaradamente aldrabadas
No livro do Al Gore também vem a história do passarinho. Só que quando se olha, o passarinho não é um desses "pied flycatcher"; e também não leva uma lagarta no bico, leva um peixinho. A desfaçatez é assim.
Para se poderem fazer coisas destas é que se manda o ensino abaixo. É para que "eles", os escravos, nunca possam dizer, "Ei, mas isso não é um..., porque..." A realidade é o que dá na televisão.
A cena do filme em que um glaciar se desfaz em pedaços enormes é de um glaciar muito conhecido no Sul da Argentina. Este glaciar tem estado a crescer cada vez mais depressa. Acaba por fazer um dique no Lago Argentino e, mais ou menos a cada oito anos, a diferença de pressões faz ruir uma parte do glaciar de uma forma espectacular. Agora, isso tem estado a acontecer cada cinco anos. Porque o Atlântico Sul arrefeceu.

34. A barreira do Tamisa fecha mais frequentemente
E isso deve-se à subida do nível do mar. Sim e não. Fecha mais frequentemente, sim: para reter a água devido a mais marés baixas com muito pouca água. Não é por a água subir demais, é por descer demais. No entanto a treta é tão grande que até um membro do Parlamento falou do fecho da barreira como se fosse uma coisa gravíssima.

35. E acreditem em mim, nenhum destes factos é contrariado por ninguém!
Há uma lista de cientistas norte-americanos, a Oregon Petition, que acham que o AG, a existir, não tem nada de crítico, e que talvez até pelo contrário. Tem 31.478 assinaturas hoje. Ninguém fala dela, e toda a gente diz que a realidade do AG é consensual e não suscita dúvidas.
Há uma lista europeia, a Leipzig Declaration, mas não tem nem de longe o mesmo peso. O documento de onde tirei isto (v. a origem na 1ª parte) contraria, contraria. Pelo menos umas 30 vezes.
O Gore ainda diz que o CO2 vai aumentar mais de 600 ppmv até 2050. Da boa meia-dúzia de estimativas oficiais feitas pelo alarmista IPCC da ONU, nenhuma chega nem perto desse valor. Até os amigos o contrariam. 
 

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