domingo, 3 de janeiro de 2010

O Clima a 3 de Janeiro


Porque é que gostamos tanto de fins do mundo, ou os apocalipses enquanto fuga à realidade
Os cenários apocalípticos são uma diversão em relação aos problemas reais – pobreza, terrorismo, derrocada financeira – que precisam de atenção inteligente. Mesmo coisas tão terra-a-terra como o medo da gripe suína pareceram, por momentos, não ser tanto acerca do testar os nossos sistemas de saúde e a sua preparação para emergências como antes acerca do destino de uma civilização a afogar-se nos seus próprios fluidos. Vivemos na ideia que um dia tudo pode mudar, como dizia S. Paulo, num piscar de olhos, que a calamidade possa ser a transformação que tanto se anseia. Mas transformar problemas práticos em cataclismos cósmicos afasta-nos ainda mais das soluções práticas.
Isto aplica-se, segundo penso, aos mares que sobem, tempestades, secas e extinções em massa do catastrofismo climático popular. Estas visões de espectáculo devem menos à climatologia científica que à escatologia [descrição do fim dos tempos], e àquela sensação familiar de que a modernidade e os seus confortos esbanjadores nos trazem mais perto de um dia bíblico do julgamento. Tal como um cabeçalho punha em relação ao ano 2000, as predições do fim do mundo estão muitas vezes entretecidas com as condenações da loucura, ganância e negação. Arrependam-se e reciclem!”


Glaciares derreteram muito em 1940
Nos anos 40 e no verão de 1947, em especial, a perda de gelo pelos glaciares suíssos foi a máxima desde que em 1914 começaram as medições. A explicação é dada pela radiação solar.
Também é interessante ver como têm evoluído os glaciares suíssos nos últimos séculos, aqui.


Mais outros seiscentos recordes de neve esta semana nos EEUU
O que dá uns 2200 recordes em três semanas.


1996: Santer acusado de falsificar relatórios do IPCC
Seitz e Singer acusam Santer de fazer desaparecer afirmações do 2º Assessment Report do IPCC. Entre as que desapareceram:
Nenhum dos estudos acima citados mostrou uma sugestão clara de que podemos atribuir as mudanças [climáticas] observadas especificamente ao aumento dos gases de estufa.”
Nenhum estudo até agora atribuiu de forma positiva toda ou parte [das alterações climáticas observadas até agora] a causas antropogénicas.”
Qualquer afirmação de detecção positiva de uma mudança climática significativa continuará muito provavelmente a ser controversa enquanto as incertezas na variabilidade total do sistema climático não forem reduzidas.”
Ou seja, umas que indicavam que não havia provas de o aquecimento ou o aumento de CO2 ser antropogénico, e uma que dizia que as medições ainda não têm precisão suficiente e que o nosso conhecimento do clima é pouco.


Gore é consultor sénior do Google


Mais previsões: UK com um dos Invernos mais frios desde há um século
É do aquecimento global. Só pode. Se está um frio de rachar, é disso. Ou, como eles dizem agora, as temperaturas baixas estão a esconder o aquecimento global. Ou então, de entre os Invernos frios, foi o mais quente. Ou, Copenhaga foi um tal sucesso que até já está a ficar frio.
O tempo frio vem apesar da previsão a longo termo do Met Office de um Inverno suave, publicada em Outubro, que se segue à incorrecta predição de um Verão extremamente quente, no qual se viram chuvas intensas e o Julho mais molhado de há quase cem anos.”
A Europa mais a norte prepara-se para um Inverno a sério.

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