segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

As petrolíferas e os cépticos




Na sequência de um artigo parcial no Independent, North relembra que a petrolífera Exxon pagou 23 milhões de dólares a instituições de cépticos ao longo dos anos.
O que é menos de um milésimo do que pagou o governo dos USA, e só este, para promover o Aquecimento Global Antropogénico Catastrófico. North acrescenta que, entretanto, o gasto dos USA em promover o aquecimento global cresceu dos 134 milhões para sete mil milhões anuais.

5 comentários:

Josef K. disse...

Receber milhões de petrolíferas devia deixar os cépticos, no mínimo, intrigados. Invocar o argumento "os outros recebem muito mais" é ridículo.

Baco disse...

Intriga-me, sem dúvida, mas na América tudo é possível.

O argumento é ridículo, e é ridículo o argumento que por se receber da Knorr (suponhamos) só se dizem coisas a favor dos caldos Knorr (suponhamos). Mas hoje em dia, com a ciência pós-normal, submetida à política e às finanças, tudo isso é possível.

No entanto, de facto, esse argumento, que é ad hominem, existe e é usado. É o que os americanos chamam dar pontapés no homem e não na bola :-)

O que me deixou pasmado foi o CRU ser apoiado pela Shell e a BP. Depois lembrei-me que, se ainda me lembro :-) foi a Monsanto, fabricante de CFCs, que apoiou a proibição de uso de CFCs, por ter um produto melhor. E que foi a Enron, companhia de energia, que promoveu a ideia do mercado de carbono.

E bem-vindo aos comentários aqui da loja!

Baco disse...

Ah, mas divaguei. Este post resultou do argumento que refere "cépticos bem organizados e muito bem pagos". Geralmente acrescenta-se que é pelas petrolíferas e pela indústria do carvão, mas nem é essa a questão sequer, como se vê.

Josef K. disse...

A questão para mim, como recém-interessado nestas questões e não-pertencente a nenhuma das "facções" mas com tendência para os cépticos, é: Qual é a saída que defendem? Do que pude ler deste e de outros blogues só vi críticas e não propostas de soluções, de caminhos a seguir. Se estão lá, peço desculpa e o favor de me indicarem onde estão.

Baco disse...

Estranhamente, vários minutos depois de o ter aprovado, o seu comentário aparece na janela de comentários mas ainda não no post. Se dentro de mais algum tempo ainda não aparecer, copio-o para um novo comentário.

O seu comentário dava para um post inteiro! Vamos tentar manter isto curto e "limpo".

Compreendo perfeitamente a sua posição, porque já passei por aí. Quando comecei a ler sobre este assunto, achava que era um assunto honesto, ou seja, estaria inclinado a aceitar as premissas da conjectura do aquecimento global antropogénico catastrófico.

Infelizmente (?), em menos de uma hora, fiquei a saber que não era sustentável, tal como escrevi num post feito talvez com rapidez excessiva.

A primeira coisa que tenho que dizer é que não vou catequizá-lo. Sugiro-lhe que faça como eu fiz: leia, pense e decida por si.

Agora, relativamente às questões que levanta e que eu posso responder com conforto.

Há muitas variedades de cépticos. Uns rejeitam que haja algum aquecimento (raros!) Outros que este seja devido ao CO2. Outros que o aquecimento devido ao CO2 tenha significado. Outros que mesmo que exista, a parte "antropogénica" tenha significado; e por aí fora, até à posição de Bjorn Lomborg, que diz que sim a tudo, mas que corrigir a situação é impossível e custa tanto dinheiro que mais vale gastá-lo em problemas mais prementes.

Alguns aquecistas de orientação dogmática acham isto difícil de entender. O facto é que não há uma posição céptica, há cépticos. Não é um Benfica-Sporting, isto é, não há dois lados claramente definidos e opostos.

A pergunta sobre a existência de soluções ou explicações alternativas é relativamente comum. Dito muito rapidamente e sem grande detalhe, o cépticos acham que a explicação dada para qualquer eventual aquecimento global não é a dos aquecistas, porque os argumentos aquecistas não têm ciência sólida por trás. Logo, que o problema está falseado. Logo, até se entender o que se passa, o problema não pode ser resolvido honestamente, e que temos de entender o que se passa, ou não passa, com o clima.

A posição extrema é a de que o problema não existe, pelo que não vale a pena gastar dinheiro em soluções. A posição simples e menos crítica é a de Bjorn Lomborg.

Metáfora e paralelismos são coisas muito feias; mas enfim. É como ter alguém a gritar que o nosso carro tem os pneus vazios, e que lhe devemos pagar para ter os pneus cheios. Mas medimos e não estão vazios. Então porque é que lhe vamos pagar? Porquê gastar dinheiro a resolver um problema que não existe (ou que é insolúvel)? Porquê gastar o nosso tempo e dinheiro a arranjar soluções e explicações alternativas para um problema que se prova ser inventado? Basta, claro, provar que as premissas estão erradas.

É por isso que vê tanto ênfase na crítica: porque, segundo cépticos de ordem diversa, o problema ou é uma falsificação, uma fraude científica, ou, se aceitam que o problema existe, é irresolúvel.

Espero que estes dois ou três conceitos iniciais ajudem. Quanto ao restante, prefiro que forme a sua opinião por si. Sem prejuízo de fazer comentários e perguntar coisas, se é que isso não é um conflito!