quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A dimensão imensa da nossa ignorância


http://dotearth.blogs.nytimes.com/2010/02/09/does-an-old-climate-critique-still-hold-up/

Revkin (e outros) andaram a falar de uma afirmação de Andrew Lacis, do GISS, que diz que não vê nenhum mérito científico no Resumo para Executivos do IPCC. Entretanto, Revkin relê o relatório e duvida das afirmações incontroversas e assentes sobre a origem antropogénica do aquecimento global. Vai daí, escreve uns e-mails e recebe umas respostas.

Lacis escreve em 2005. Outras coisas que diz sobre o Executive Summary são, por exemplo:

  • A apresentação parece uma coisa arranjada por activistas do Greenpeace e o seu departamento legal.”
  • O Executive Summary parece ser uma afirmação política feita só para aborrecer os cépticos.”
  • O Executive Summary, tal como está, está para além da cura e deve, simplesmente, ser apagado.”

A Drª Gabriele Hegerl, da U de Edimburgo, um dos dois coordenadores para o capítulo 9 do WGI, diz (paráfrase) que Lacis não entendeu que o capítulo com a ciência, no WGI, está lá para justificar o que se afirma no Executive Summary, e não ao contrário.
Ah. E eu a pensar que era ao contrário.

Continua ela, no que diz respeito a Aquecimento Global Antropogénico Catastrófico, dizendo que os títulos dos capítulos, que são categóricos, são apenas a introdução a uma série de afirmações qualificadas por probabilidades, que se fazem no texto.

Ainda Hegerl: “O recente aquecimento é inconsistente com a variabilidade climática interna e outras influências externas, por si próprias, na temperatura da superfície, troposfera e dados de temperatura do oceano”.
Que é por isso que dizem que é incontroverso que a humanidade é causa de aquecimento global, encontrou-se uma “assinatura”.
Mas o que ali está é: não sabemos o que é, portanto somos nós. O que é obviamente um disparate (e, ainda por cima, egocêntrico). Ou melhor ainda: os nossos modelos não conseguem reproduzir o que vemos, portanto somos nós.
Se não sabemos, dizemos que não sabemos, não dizemos que foram os espíritos.
E se os modelos não reproduzem o que vemos, estão errados.
Ponto final.

Sem comentários: