domingo, 7 de fevereiro de 2010

Estranho dinheiro


http://www.telegraph.co.uk/comment/columnists/christopherbooker/7176262/Climate-makes-money-move-in-mysterious-ways.html


O Telegraph apresenta hoje um artigo de Christopher Booker sobre verbas entregues para projectos favoráveis ao aquecimento global, alguns razoavelmente curiosos, que ele e (o incansável) Richard North andaram a investigar.


Ainda recentemente escrevemos sobre as verbas do AGAC aqui no blog, como a propósito do British Council, ainda hoje. Vamos dar só uma olhadela, porque isto tem ar de dar pano para mangas. Felizmente os UK têm um Freedom of Information Act, coisa que, julgo eu, não temos aqui em Portugal, que cá impera a discrição nestas e noutras coisinhas.

Glaciergate: Em 2001 o Department for International Development mandou cientistas investigar a história de 2035, por 315.277 libras. Concluíram, em 2004, que não tinha fundamento. Ninguém disse nada, e em 2007 o IPCC saiu com o AR4 em que repetiu a história. Em 2008 o DEFRA pagou 1.436.000 libras para custear as despesas do grupo de trabalho do IPCC que produziu o Glaciergate, que sabia ser um erro.

Ainda que não desenvolva, Christopher pergunta porque é que, em 2005, o DEFRA pagou à TERI de Pachauri um estudo destinado a que a indústria de seguros indiana fizesse lucros com os riscos do aquecimento global, e porque é que o Foreign Office contribuiu para outro estudo para que a indústria indiana lucrasse com quotas de carbono, segundo o esquema da ONU conhecido como Clean Development Mechanism.

Diz que anda a procurar o que se passa com 11 pagamentos feitos por 4 departamentos governamentais para projectos da TERI Europe em Londres, e a encontrar relutância, da parte dos ministérios, em contar o que se passa.

Acha típico destes pagamentos um feito pela DEFRA a um chefe de departamento não nomeado que contribuiu para o IPCC Synthesis Report. O dinheiro foi pago por um departamento sem nome da U de Cambridge, enviado à TERI Europe, que enviou a um anónimo em Delhi com endereço na TERI India. Parte do pagamento foi de 30.417 libras. O relatório do DEFRA ao Parlamento declarou apenas 5800 libras. O mesmo relatório do DEFRA ao Parlamento menciona ainda uma plétora de projectos sobre aquecimento global, muitos tão misteriosos como este.

Porque é que os Ingleses pagaram 239.538 libras a pessoas não nomeadas por um estudo sobre o impacto do AGAC na agricultura chinesa?
Ou 230.895 libras para um "programa de investigação"  sobre impacto do AGAC na Índia?
Ou 57.500 para o "grupo de apoio de propostas brasileiro"? (O que será um grupo de apoio de propostas?)
Ou 30 milhões para ajudar à adaptação às alterações climáticas em África?
Ou 200.000 para uns delegados irem a Joanesburgo para uma conferência sobre a cimeira do Rio, acompanhados por activistas ambientalistas que custaram mais 120.000 libras?
Ou 10.000 libras para um workshop sobre "As Mulheres Enquanto Protectoras Sagradas da Terra", para explorar os pontos de vista espirituais, religiosos e filosóficos etc...?

O maior pagamento único do DEFRA foi para o Programa de Predição Climática do Hadley Center, 13.315.168 libras. Mas isto é só um, porque só o Hadley Center recebeu 179 milhões.

Ainda em Setembro Douglas Alexander voou para a Índia para dar ao instituto de Pachauri dez milhões para que examine como transformar a pobreza da Índia em "desenvolvimento sustentável".


Em 2003, deram os UK deram a um certo Renewable Energy and Energy Efficiency Partnership nove milhões, e prometeram, em 2008, mais 2,5 milhões. Mais de um ministério está envolvido nestes pagamentos.

"O que parece certo é que o governo não quer que saibamos de todas as somas envolvidas, quem são muitos dos receptores ou, para começar, porque é que a maioria destes pagamentos está a ser feita." Tenho a certeza que o nosso também pode ter coisas verdes a dizer.



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