domingo, 7 de fevereiro de 2010

O IPCC e as colheitas em África




O IPCC diz, muito dramaticamente, que o aquecimento global pode reduzir em 50%, por 2020, a produção agrícola do Norte de África.
Essa afirmação (Agoumi 2003, no Synthesis Report, 3.3.2) baseia-se num panfleto de uma ONG. Trata-se de um artigo do IISD - International Institute for Sustainable Development, no Canadá, um grupo activista ambiental, e que também escreve sobre quotas de carbono.
Pior ainda, duas  das referências do panfleto de Agoumi não apoiam as afirmações apresentadas.

A frase do SR vem do WGII, cap. 9, p. 448.
Al Agoumi, perito marroquino em clima, estudou apenas a Tunísia, Marrocos e Argélia. Os relatórios foram preparados por funcionários públicos e nenhum foi revisto por pares.
A tradução inglesa do trabalho de Agoumi está aqui. A afirmação está num ponto da página 5 (8 no PDF)
Essa parte refere dois documentos (refs 1 e 2): o 1 não se encontra, mas encontra-se o 2, que não se refere a alterações climáticas.
Compõe-se de declarações dos três países para a UNFCCC.
Marrocos diz que espera um decréscimo de 50% nos anos secos e de 10% nos anos normais.
A Argélia diz coisas diferentes: que a produção agrícola aumentou 5% nos anos 90, e que espera que se duplique esta taxa até 2020 (p. 109).
A Tunísia diz que não tem certezas.
Agoumi só é apoiado, nas suas referências, por um país, e só em caso de seca.
Ou seja, o IPCC mais uma vez apanhado com a boca na botija, a fazer afirmações estranhas.

Updates:
2 - Robert Watson, antigo presidente do IPCC, agora cientista chefe no DEFRA, diz que não encontra dados que apoiem a afirmação do Synthesis Report sobre a queda no rendimento das colheitas africanas.

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