sábado, 13 de fevereiro de 2010

Phil Jones responde a perguntas sobre climategate e aquecimento global




Ontem, Phil Jones, ex-director do CRU da East Anglia University, quebrou o silêncio e respondeu a perguntas escritas da BBC sobre o aquecimento global.
À primeira pergunta, que pede que compare três períodos da história em termos de tendência de aquecimento, Phil diz que os períodos de 1975-2009, 1975-1998, 1910-1940, e 1860-1880, embora de durações desiguais, mostraram todos uma tendência de aquecimento semelhante, de cerca de 0,16 ºC por década.
Diz que o aquecimento de 1995 a 2009, 0,12 ºC/década, apesar de positivo, não tem significado estatístico (para 95% de confiança), pelo que é possível dizer que não houve aquecimento nesse período.
Da mesma forma,o arrefecimento que se regista de 2002 até agora, de -0,12 ºC por década, não é significativo.
Sobre as causas do aquecimento de 1975 a 1998, diz que as causas naturais conhecidas (El Chichon e Pinatubo) apenas poderiam conduzir a arrefecimento; diz também que não é bem esta a área de conhecimento dele.
Tem a certeza absoluta que o clima aqueceu; quanto à responsabilidade humana nisso, remete ao capítulo 9 do IPCC onde, diz, se demonstra a responsabilidade humana.
Diz que as séries de temperaturas do CRU, NCDC e GISS provêm de conjuntos de estações diferentes, com controlos de qualidade diferentes e colocação em retícula (gridding) diferentes, pelo que há mais de um registo “oficial” de temperaturas de superfície.
Diz que o do GHCN é público, e que o do Met Office já é público em 80% a partir de fim de Janeiro passado.
Acrescenta que as séries de 80% das estações replicam as séries com 100% das estações.
Acha que se devem publicar, com o Met Office, os dados da totalidade das estações.
Diz que se o Óptimo Medieval foi ou não global é questão que ainda está a ser debatida. Está claramente demonstrado na América do Norte, Atlântico Norte, Europa e parte da Ásia; mas há poucos estudos paleoclimáticos nos trópicos e hemisfério sul, o que torna difícil dizer da sua globalidade. Não podemos assumir que os dois hemisférios se comportem da mesma maneira, já que historicamente o não fazem. Só dada a globalidade do Óptimo Medieval se pode dizer se foi ou não tão ou mais quente que hoje.
Explica a existência de uma “assinatura” antropogénica no aquecimento contemporâneo por não poder explicá-lo através dos factores conhecidos que menciona.
Sobre o processamento dendrocronológico (anéis de árvores) de Yamal, diz que a dendrocronologia é praticamente a única fonte para saber de temperaturas dos últimos 1000 anos, e que a interpretação presente do CRU é boa. Para mais, remete a Briffa.
Sobre a não libertação dos dados ao público, Phil Jones diz que se apoiou no aconselhamento de vários funcionários da Universidade, bem como do Comissário para a Informação.
Sobre o mantra de que “o debate está encerrado”, diz que não pode saber o que vai na cabeça dos outros para dizer isso. Acha que a maioria dos cientistas não pensa que o debate esteja encerrado, e que na opinião dele não está encerrado.
Sobre o “trick to hide the decline”, repete a versão já conhecida. Sobre pedir aos colegas que apagassem e-mails, diz que foi num mau momento. Recusa a acusação de que a Equipa de Hóquei estivesse a subverter o processo de publicação científico.

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