domingo, 11 de abril de 2010

Assinem aqui, senão...


Na conferência sobre alterações climáticas que está a decorrer em Bona, os US e a UE estão a chantagear os países em desenvolvimento para assinar os acordos de quotas de carbono e limitações quanto às formas de produzirem a sua energia.
Os países em desenvolvimento estão a ser confrontados com ameaças não escritas em que ou assinam as alterações a Quioto, ou deixam de receber ajuda e de poder vir a receber qualquer ajuda posterior.
Trata-se de uma situação em que se assinam deixam de poder desenvolver-se, por não poderem obter energia a baixo custo; e se não assinam, deixam de poder desenvolver-se, por deixarem de receber verbas para desenvolvimento.
Por outro lado, os US oferecem-lhes mais ajuda se assinarem o acordo que os obriga a não desenvolverem energia barata e continuarem dependentes do ocidente.



 Diz um diplomata africano: “A pressão para apoiar o ocidente tem sido intensa. Tem sido feita a um nível muito alto e nada foi escrito. Foi posto muito claramente pela UE, UK, França e US que se não os apoiássemos então sofreríamos.”
Outros diplomatas referem que essas ameaças de cortes na ajuda foram acompanhadas de promessa de ajuda se assinassem.
Ainda que o acordo não seja vinculativo, já 112 países alinharam por ele, incluindo 14 países africanos que dependem de ajuda ocidental.
O acordo promete 30 mil milhões de dólares por ano a curto prazo, e até 100 mil milhões de dólares a longo prazo. Estas verbas serão espremidas da economia ocidental, ao mesmo tempo que esta economia assume também reduzir-se por forma a reduzir as emissões de carbono.
Entretanto, faz com que as economias receptoras das verbas se mantenham dependentes de ajudas, como já estão. Aparentemente, toda a gente perde. Ignoro quem beneficia disto, com excepção dos negociantes de quotas de carbono como Al Gore.

 

A Etiópia, regime exemplar, receberá mil milhões de dólares; por outro lado, 90 países em desenvolvimento não se associam ao acordo, a maioria por achar que não irá reduzir quaisquer emissões de carbono de qualquer forma útil.

Lembra-se também que, na realidade, ninguém está a cumprir Quioto. Excepto, talvez, o Zimbabwe.


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