terça-feira, 20 de abril de 2010

Ainda o calor em falta


Na semana passada, a revista de divulgação Science (requer assinatura) deu a Kevin Trenberth a possibilidade de falar sobre o calor que falta. Roger Pielke Jr. fala-nos sobre isso.
Este assunto é aquele a que Kevin Trenberth se referia no célebre e-mail do climategate que dizia que não lhes era possível explicar a falta de aquecimento e que era uma paródia que fosse assim.
"The fact is that we can't account for the lack of warming at the moment and it is a travesty that we can't. The CERES data published in the August BAMS 09 supplement on 2008 shows there should be even more warming: but the data are surely wrong. Our observing system is inadequate."


No gráfico de cima, a área azul é a do calor absorvido pelo mar, a linha encarnada a do calor absorvido total. O mar representa o maior reservatório de calor.
A linha preta representa o calor que devia existir segundo os modelos, a radiação no topo da atmosfera (TOA). A área amarela, o calor que falta.
No gráfico de baixo, a linha verde é o CO2, a azul o nível do mar (valores discutíveis, se acreditarmos em Nils Axel-Morner), e a encarnada a da temperatura global.
Às tantas, por alturas de 2000, as medições de radiação no TOA deixaram de bater certo com o que os modelos previram.
Entretanto, como se vê no gráfico de baixo, também a temperatura deixou de acompanhar a subida do CO2.
Quanto a esta última, o que tenho aqui repetido é que não acompanha (nem a este nível de escala, nem à escala geológica):

 

Então, como Trenberth diz, o CO2 tem aumentado, e o calor devia ter-se acumulado cada vez mais, e não é assim: para onde foi ele?
Continua Trenberth: desde 2004 que cerca de 3000 bóias Argo dizem que o calor no mar tem aumentado muito menos (no primeiro gráfico eu vejo que diminuiu); então, mais uma vez, para onde vai o calor?
Roger Pielke Sr. (e muito mais gente) notou isto em 2006 e diz que, simplesmente, os modelos não são capazes de fazer predições, também para este caso.
Kevin Trenberth (e muito boa gente) acha que o calor foi, simplesmente, de volta para o espaço; nesse caso, digo eu (e mais gente): que é do (valor do forcing do CO2, que se julga muito exagerado, no) efeito de estufa?
Richard Harris lembra que a Terra tem vários termostatos naturais, como sejam as nuvens, que os modelos não tomam em consideração, e cujo efeito, de momento, é desconhecido, no sentido em que não pode ser medido.
Harris e outros dizem que pode ser que o calor tenha ido para camadas mais profundas do mar, os célebres mais de 700 m de fundo. Mas ninguém o viu passar da superfície para o fundo.
Roger Pielke Sr. diz que frente a isto não se pode dizer que tenha havido algum aquecimento global, segundo estas medidas, nos últimos anos. Lembramo-nos que até Phil Jones diz que de 1995 a 2009 não há subida significativa da temperatura global.
Em poucas palavras, ninguém sabe onde anda o calor previsto. Os modelos não são capazes de descrever a realidade. E previsões, nenhuma.
Notemos, no entanto, que esta é uma situação com pouco tempo de duração (uns cinco anos). No entanto, indicia claramente que se passa alguma coisa de muito errado com os modelos dos cientistas climáticos. 
Precisamos de menos certezas sem fundamento, menos discurso político e activista, e mais conhecimento. Que é coisa que continua a faltar em grandes quantidades.
 

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