domingo, 18 de abril de 2010

Cinza virtual

[Actualizado]

Vários espaços aéreos vão continuar fechados até às dez de terça-feira em consequência da nuvem de cinza do Eyjafjallajokull. Mas a novidade é que parece que a nuvem, tal como muita coisa com o aquecimento global, não existe.
A KLM voôu um 737-800 vazio esta noite a 10.000 m e a 13.000 m e não encontrou nenhum sinal de cinza. A Lufthansa voôu 10 aparelhos de Francoforte para Munique, de novo sem encontrar sinais de cinza. Também a Air Berlin o fez, com os mesmos resultados.
O encerramento do espaço aéreo aconteceu só por causa dos resultados de uma simulação em computador feita no Volcanic Ash Advisory Center, em Londres”, diz o principal executivo da Air Berlin. “Estamos pasmados que os resultados dos vôos de ensaio feitos pela Lufthansa e Air Berlin não tenham qualquer impacto nas decisões das autoridades de segurança aérea”.
Não se lançou nem um único balão meteorológico para medir quanta cinza vulcânica está no ar”, diz Klaus Walter, porta-voz da Lufthansa. “A proibição de vôo, feita com base só em contas num computador, produziu milhares de milhões de prejuízos para a economia. De futuro vamos exigir que se apresentem medições fiáveis antes de ser imposta uma proibição de vôo.”

Antes de ir mais longe, o Volcanic Ash Advisory Center faz parte do UK Met Office. Isso deve começar a ajudar-nos a ver claro através da cinza.
Agora, vejamos: há uma coisa que dá assim nas vistas (no caso, uma erupção). Vai daí, uns tipos do Met Office que têm uma PlayStation mandam fechar tudo sobre a Europa. Daí resultam inconvenientes para toda a gente, falhas de abastecimentos internacionais e prejuízos de milhares de milhões para toda a economia. Os médicos dizem que ninguém deve sair de casa e que os asmáticos devem ter a bomba a jeito (devem ter sempre). Só que ninguém mediu nada, e quando alguém pensa em levantar a cabeça, não está lá nada.
Isto faz lembrar alguma coisa?
Pois. Modelos? Não, obrigado.
Como diz um email que acabei de receber: agora alguém vai pagar este prejuízo, e não vai ser o Met Office.

Podemos sempre dizer que talvez não fosse tanto assim, que no princípio o perigo seria real, que à luz do malfadado princípio precaucionário (!) se fez o que se devia. Já não vamos saber: não houve medições. Foi tudo feito num computador.


Update: Financial Times diz que autoridades aceitam que o modelo não está completamente correcto, que não há dados sobre limiares máximos de cinza no ar e que os modelos norte-americanos são supostos ser melhores. http://www.ft.com/cms/s/0/fe005684-4c12-11df-a217-00144feab49a.html


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