quarta-feira, 28 de abril de 2010

A dissociação climática

Aqui está, publicado no Bulletin of the American Meteorological Society, com as palavras todas, como reportado por Roger Pielke Sr., a principal razão pela qual a ciência climática não merece nenhum crédito: os senhores Navarra, Kinter III e Tribbia declaram, sem sombra para dúvidas, que a ciência se faz com simulações em computador, vulgo, modelos. Esta foi a minha mais imediata e evidente razão para rejeitar na totalidade a “ciência” especulação informática climática, e reexaminá-la.
Richard Lindzen tem sido criticado por criticar a “ciência” climática, dizendo, recentemente, que as simulações e os programas substituíram a teoria e a observação, e que é esta a posição actual da American Meteorological Society.
Aqui, Navarra et al postulam a nova ciência:

A strict application of the scientific method requires a process of isolation of constituent subsystems and experimental verification of a hypothesis. For the climate system, this is only possible by using numerical models. Such models have become the central pillar of the quantitative scientific approach to climate science [emphasis added] because they allow us to perform “crucial” experiments under the controlled conditions that science demands.”

Traduzo: “Uma aplicação estrita do método científico requer um processo de isolamento dos subsistemas componentes e a verificação experimental de uma hipótese. Para o sistema climático, isto só é possível usando modelos numéricos. Estes modelos tornaram-se o pilar da abordagem científica quantitativa à ciência climática porque nos permitem executar experiências “cruciais” nas condições controladas que a ciência exige.”
Estamos a entender? As experimentação "crucial", de que dão como exemplos a experiência de Michelson e Morley ou a atual procura pelo bosão de Higgs no CERN, é uma coisa que só se pode fazer usando, única e exclusivamente, um computador.
O que significa que esta gente já não sabe o que é experimentação, aquela tal coisa que é central à metodologia científica. A experiência de Michelson e a procura do bosão de Higgs não se fizeram nem estão a fazer com um modelo de computador, mas com a realidade (enfim, tanto quanto o bosão de Higgs possa ou não ser real).
Estão completamente lunáticos, passados, longe da realidade, decidiram que não se querem curar, não tomam as gotas e não vão à consulta. Neste ponto, já só lá vão com quatro tipos de branco numa carrinha discreta.

Michelson e Morley não fizeram a sua experiência só com papel e lápis. Se a tivessem feito, não tinha o resultado que teve. Einstein fez tudo de papel e lápis, mas enquanto não houve confirmações pela observação, a teoria da relatividade era só uma boa hipótese.
Pielke, mais abaixo, nota que em lado nenhum se menciona como tendência actual da produção de modelos de tempo e clima a verificação do modelo através da observação. Realidade, nunca; o mapa é o terreno.
É como dar umas voltas por Istambul no Google Maps e depois dizer que se esteve lá de fim de semana. Depois admiram-se que ninguém acredite neles.
Mais uma, já agora:

Issues like quality control, procedure certifications, and data integrity will no longer be the subject of discussions by researchers, but they will be matters of procedural control and monitoring. It will free climate scientists from much of the engineering work that is now necessary in the preparation of the experimental apparatus they are using in their laboratory but that is hardly necessary to the core of climate science.”

Resumindo em poucas palavras, isso de controlo de qualidade, certificação de procedimentos, integridade de dados são coisas que vão deixar de interessar aos investigadores e são para passar a monitores e empregados, para libertar os “cientistas” de muito desse trabalho desnecessário. Assim ficam mais livres para fazer modelos no “laboratório”, porque nenhum desses assuntos é relevante para a ciência climática.
Isto chama-se descaramento e ignorância absoluta e total do que é ciência no seu mais essencial.
Como diz Pielke, é uma proposta extraordinária, uma vez que o modelador climático deixa de lidar com dados da realidade.
Continuam Navarra et al.:

The discussions conducted for the simulations needed for the IPCC assessments have already gone in this direction […]”

As discussões conduzidas para as simulações requeridas para os relatórios do IPCC foram já nesta direção” , confessam eles com total descaramento climático.
Nota Pielke que a proposta de Navarra et al. irá colocar a análise e previsão climática nas mãos das poucas instituições com supercomputadores (oligarquia) e focar-se em “experimentação” com programas de computador, sem nenhuma validação por dados de observação. Os resultados que daí saírem vão servir para a tomada de decisões sem nenhum fundamento na realidade.



Acrescenta Pielke que este caminho irá conduzir ao descrédito (só então?) da “ciência” climática, e produzir resultados inúteis em termos de tomada de decisões para a gestão de recursos e o combate a ameaças ambientais e sociais.
Os modelos climáticos são hipóteses”, diz Pielke, e muito bem. Eu digo, seriam hipóteses, se tomassem em conta todos os factores conhecidos, o que não fazem.
Navarra et al continuam a delirar em modo peer-review:

Such models have become the central pillar of the quantitative scientific approach to climate science because they allow us to perform “crucial” experiments under the controlled conditions that science demands.”

E aí está, de novo, o problema. Acham que os modelos são a forma essencial de fazer “experiências” e substituem essa coisa pouco jeitosa que é a realidade, que não ajuda nada. A isto chama-se dissociação da realidade, e é sinal de doença mental grave, mais especificamente, do grupo das psicoses.
O editor chefe do Boletim da MAS usa um fraseado ambíguo para com o artigo de Navarra: Se a “ciência” climática conseguir isto, é um grande teste para a viabilidade da ciência dependente do modelamento numérico, que ficará para sempre na consciência popular.
Como se diz por aí nas ruas: “Podes crer, meu”.
É loucura ou aldrabice descarada. Podemos decidir sabendo que estão biliões (milhões de milhões, insisto) em jogo, e que há muita gente à espera das comissões e das vendas de equipamentos “verdes”.
Isto tem de acabar.

1 comentário:

N. Afonso disse...

O que é triste é que ainda haja tanta gente que dá crédito a estes pseudo-cientistas do clima e aos seus modelos informáticos, e a trafulhas como Al Gore e Rajendra Pachauri.