segunda-feira, 26 de abril de 2010

Eureka: uma frivolidade estatística

O dia 14 de Julho de 2009 na estação ártica de Eureka continua a fazer-me pensar, enquanto espero por mais dados no WUWT.
Os dados originais estão no Environment Canada.
O problema, já o vimos: como é que o registo do dia 14 mostra uma máxima de 20,9 ºC, se as temperaturas medidas horariamente mostram um máximo de 14,4 ºC (às 19 horas)?
A temperatura às 18 h foi de 13,7 ºC e às 20 foi de 12,5 ºC. Ou seja, como é que se mete um valor de 21 ºC (aprox.) neste gráfico:




Como é que, em menos de uma hora, a temperatura sobe seis graus e meio e volta a descer, sem ser detectada nas medições horárias? Mais de cinco desvios padrão fora? É de arrancar os cabelos. O (suposto) gestor da estação de Eureka, no WUWT, diz que esteve lá e até tem uma fotografia ao pé do equipamento, quando Eureka bateu este record de temperaturas. Mas não explica; em vez disso, fala de, sei lá, ursos brancos, bois lãzudos e pardais a migrar para norte, e pergunta mas que mais é preciso para acreditarmos no Aquecimento Global Antropogénico Catastrófico? Ora, eu quero é saber.
Então vamos supor que foi uma coisa maldosa e de má vontade, erro ou sabotagem, ou instrumentos desafinados. Então poderá haver mais medições “para cima” noutras alturas – para baixo não interessa ao Aquecimento Global Antropogénico Catastrófico.
A tese do AGAC, como vem no relatório do IPCC, diz que a subida das temperaturas médias é feita principalmente à custa das mínimas. Se encontrarmos as mínimas instantâneas acima das mínimas medidas horariamente, mal vai o caso. Então vamos procurar.
Depois de feito o download, procuram-se os mínimos de cada dia, nas medições horárias, numa folha de cálculo e subtraem-se dos mínimos diários (instantâneos). Aqui temos a distribuição das diferenças:


No período que vi, do início de 2010 até agora, nenhuma temperatura mínima instantânea do dia foi superior à mínima das medições horárias nesse dia. Há seis diferenças estranhas, querendo eu dizer que estão mais de dois desvios padrão fora da média (a linha vermelha marca esses dois dp); mas não é nada mau; considerando o número de dias seria de esperar cerca de 22 (25%).
Sendo assim, nada de suspeito. Mas então como é que se encaixam aqueles 21 ºC? Seria a Tomada da Bastilha?

2 comentários:

Apache disse...

As temperaturas de Julho e Agosto de 2009, em Eureka são (para mim) estranhas. Confesso que, antes desta polémica, nunca tinha olhado em pormenor para as temperaturas destas paragens, mas… Eureka situa-se ao nível do mar e a uma latitude de quase 80º N. Hoje, já com luz solar “permanente” (dia e noite) há quase um mês, registava -12,9º C de mínima e -6,4º C de máxima. A temperatura mínima deste mês de Abril foi de -35,8º C (no dia 6); em Março, de -44,1º C; em Fevereiro, de -42,7º C; e em Janeiro, de -45,4º C. Pergunto-me, como é possível que uma localidade tão a Norte e ao nível do mar, tenha uma variação de temperatura superior a 66º C, entre a mínima e a máxima anual? Por comparação, a estação McMurdo (77,5º Sul e também quase ao nível do mar) registou no pico do Verão Austral (em Janeiro) uma máxima de 4,2º C. Alguém confirmou as condições em que se encontra o termómetro da estação de Eureka? É que com temperaturas destas, no Inverno, apetece perguntar se o famoso “efeito de estufa” só pára em Eureka, em Julho e Agosto?

Baco disse...

Pois, um bocado de aquecimento global devia dar-lhes jeito.

Sobre Eureka, vai haver novidades, mas têm de aparecer primeiro no Watts Up With That.