domingo, 18 de abril de 2010

GISS e Finlândia: engano no sinal


O estimadíssimo Ecotretas escreveu sobre isto enquanto eu dormia a sesta, mas isso não me impede de dizer mais umas coisas.
Ora lembramo-nos da semana passada que a Finlândia, segundo o GISS da NASA (dirigido pelo inefável apoiante incondicional de ecoterroristas James Hansen) passou um março quentinho, até com muitas temperaturas positivas. Até era um dos sítios mais quentes (na dita anomalia) da Europa. Entretanto, a meteorologia finlandesa diz que não, que foi um março frio.
Não querendo dizer muito, o mapa de anomalias do NOAA também mostra um março português com uma anomalia nula, ou talvez +1 ºC no sul, se é que não é já Espanha; mas o Instituto de Meteorologia diz que foi um março chuvoso e frio, o mais frio dos últimos 24 anos.
O GISS já corrigiu as temperaturas, e disse que a culpa é dos finlandeses, que se esqueceram dos sinais menos. Os finlandeses dizem que não se esqueceram, que foi o GISS que leu mal as temperaturas. Vamos deixá-los resolver isso.
Diz Anthony Watts que os operadores de observação meteorológica dos aeroportos têm tendência a esquecer-se do sinal menos. Se formos ver o artigo do Ecotretas (ou do WUWT) encontramos exemplos disso em listagens, o que dá gráficos de temperatura divertidíssimos como este (logo em cima do almoço...):


Os erros também ocorrem com temperaturas medidas por bóias, como aqui (ver a coluna air temp).
O que resulta de mudarmos o sinal nuns tantos valores?

-13,5 -13,6 -13,2 -13,8 -13,1 -13,8: média -13,5
-13,5 -13,6 -13,2 13,8 -13,1 -13,8: média -8,9

Estão a ver uma pequena diferença de apenas +4,6? Como só acontece com valores negativos, é sempre para mais, e os valores negativos ocorrem em latitudes altas, onde se medem anomalias de temperatura regra geral maiores.
Se acham que não faz diferença com medições diárias, num total de 30 medições, peguem numa folha de cálculo e experimentem mudar o sinal a uns três valores (entre -1 e +1 não tem muita piada) em trinta. Lembrem-se que os aquecistas discutem centésimas de grau.
Isto é uma propriedade da média, que é excessivamente sensível a valores extremos, a outliers. A média é muito interessante em física, mas pouco para descrever uma amostra. A mediana é frequentemente preferível, e daria, respectivamente, -13,55 e -13,35. Nada tão grave como a diferença que vimos ao usarmos a média.
Isto, claro, não explica o Aquecimento Global Antropogénico Catastrófico. Mas é mais um erro, e, como de costume, apesar de ser "só" erro humano, favorece a conjectura aquecista. A verdade é que ninguém parece verificar estes erros, e eles lá andam. Na época dos computadores isto não tem razão para acontecer (a não ser falta de verbas).
Por estas e outras mais graves era bom que os climatologistas soubessem estatística.

Update: por favor leiam o trabalho do Ecotretas sobre este assunto. Muito interessante, e traz mais elementos.


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