sexta-feira, 16 de abril de 2010

Indiana Jones e o calor perdido?


Desde há uns tempos que a gente que faz modelos descobriu uma coisa intrigante: falta metade do calor que os modelos dizem que devia haver. Concluem que tem de estar nalgum lado.
Aproveitam para dizer que o problema é agravado por ultimamente as temperaturas de superfície terem estabilizado (azar). Dizem que tudo batia certo até 2003, altura em que entrou um novo sistema de medição das temperaturas do mar (que depois foi recolhido e recalibrado e voltado a lançar, com enorme despesa). E que também as medições dos satélites têm de estar erradas.
Se esta gente tivesse uma ideia do que significa um modelo (uma abstracção teórica, e, no caso dos modelos de circulação global do AGAC, “completamente incompleta”) por um lado, e a realidade dos dados, por outro, estavam a rescrever os modelos.
O que é impensável por pelo menos umas tantas razões, a primeira sendo que tinham que admitir que se tinham enganado.
Então, concluem o que está errado são as medições.
Certo? Mesmo, mesmo certo?
Frente a um modelo matemático em desenvolvimento (e depois disso também), as medições são sagradas. Não encontram o calor, porque só existe no modelo, e não na realidade.
O modelo tem de reproduzir as medições, e não as medições reproduzir o modelo. Qualquer outra coisa é mera incompetência da mais grosseira.
Dizem que o calor está no mar, a mais de 700 m de profundidade. Como alguém refere, então tinha sido medido quando passasse pelos 700 m de cima, a caminho da profundidade.
E por aí fora. Esse calor que falta não está em lado nenhum senão nos modelos; não existe na natureza.
Estão a tentar fazer uma colagem verbal com a matéria em falta, a dark matter, dos astrofísicos, que é uma questão legítima. As observações dos astrofísicos mostram que os objectos estelares se movem como se houvesse mais matéria que aquela que detectam. Neste caso, eles detectam por medição a falta de matéria que devia lá estar, mas não encontram. Não é fazer umas contas e depois dizer que as medições é que estão erradas: a “falta” foi medida, só não está explicada.
Lembremo-nos: todas as previsões verificáveis dos modelos de circulação geral usados pelo IPCC, até agora, falharam.

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