quinta-feira, 15 de abril de 2010

Inquérito ao CRU: todos bons rapazes


Acabou o inquérito ao CRU, e são todos bons rapazes.

We saw no evidence of any deliberate scientific malpractice in any of the work of the Climatic Research Unit and had it been there we believe that it is likely that we would have detected it. Rather we found a small group of dedicated if slightly disorganised researchers who were ill-prepared for being the focus of public attention. As with many small research groups their internal procedures were rather informal. ”


Resumindo: Não vimos nada de errado cientificamente no trabalho do CRU. O que encontrámos foi um grupo de cientistas baralhados por estarem a ser alvo da atenção pública. Como quase todos, eram só um grupo de gente informal.
Todos bons rapazes, que ficaram desorientados com as luzes. Pobrecitos.


We cannot help remarking that it is very surprising that research in an area that depends so heavily on statistical methods has not been carried out in close collaboration with professional statisticians. Indeed there would be mutual benefit if there were closer collaboration and interaction between CRU and a much wider scientific group outside the relatively small international circle of temperature specialists. ”



Resumindo: achamos estranho que numa área que assenta tanto em estatística não haja nenhum estatístico. Era útil se recorressem a mais gente para além do grupo internacional restrito dos especialistas em temperaturas.
Ah pois. Mas se houvesse por lá estatísticos nada disso se teria passado! Estamos gagos de dizer isso. A maior parte dos problemas com o CRU, o GISS da NASA e assim o IPCC é o mau uso de estatística a martelo. E se falassem com mais gente para além deles próprios, e não andassem a aprovar os artigos uns dos outros, também isso não acontecia. Isto já toda a gente tinha dito.
A Comissão também informa que há problemas com a disponibilidade pública dos dados de temperaturas, mas que isso é um problema internacional. E também com a aplicação do Freedom of Information Act...
Diz Richard North:

"As McIntyre notes, the Panel was announced on 22 March and its report is dated 12 April – three weeks end-to-end. They took no evidence and their list of references is 11 CRU papers, five on tree rings, six on CRUTEM. Notably missing are the 1000-year reconstructions, which must count as the most controversial and influential pieces of work produced by the unit."


A comissão foi anunciada a 22 de março e trabalhou três semanas. Leram 11 artigos científicos, todos do CRU, e ignoraram as reconstruções de 1000 anos, que constituíam parte do problema. E foi a única coisa que fizeram, porque não ouviram ninguém. Leram onze artigos escolhidos, ao longo de três semanas, e excretaram uma opinião. Ou, como eles dizem com frontalidade, a maioria leu todos os artigos.
O blog da Nature tem o descaramento de dizer que, sendo assim, a ciência é da melhor apesar de não saberem estatística. Estamos no séc. XIX? Por acaso também chamam a atenção para um pequeno conflito de interesses: Lord Oxburgh, presidente da Comissão, também é presidente da Carbon Capture and Storage Association. Coisinhas de somenos.
E pronto, está feito. Assim podemos ler no blog da Nature uma citação de Bob Ward, director de política e comunicação do Grantham Institute on Climate Change:


The panel has carried out a thorough investigation of the evidence, and anybody who simply rejects these findings will show that they are motivated by prejudice and ideology rather than by scepticism and a desire to uncover the truth. I think those so-called sceptics and commentators in the media who have attempted to undermine the credibility of climate change science on the basis of the hacked e-mails now need to apologise for misleading the public about their significance.”


Resumidamente: a comissão fez uma investigação fantástica, disse que estava tudo bem, e portanto a partir de agora quem negar o aquecimento global é movido por preconceito e ideologia, e não pelo cepticismo e o desejo de verdade. Os chamados cépticos que tentaram desacreditar a ciência das alterações climáticas com base em e-mails roubados devem pedir desculpas públicas.
Tal e qual como nos julgamentos públicos no tempo dos sovietes.




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