terça-feira, 27 de abril de 2010

Os níveis de CO2 em perspectiva

A presente concentração de CO2 na atmosfera é de cerca de 390 partes por milhão (ppm). No passado da Terra, esta concentração chegou facilmente às 2.000 ppm.

Diz-se que o CO2 é poluição e um gás tóxico. É tóxico, mas só em concentrações muito altas. Aqui temos um gráfico que põe em perspetiva os diversos níveis de CO2 com interesse:



As estufas para crescimento de vegetais e crescimento hidropónico usam concentrações de CO2 entre as 2.000 e as 2.500 ppm, quase seis vezes e meia mais que o nível atmosférico actual. Como sabem, as pessoas trabalham dentro dessas estufas.
Segundo o NIOSH, o nível máximo de segurança para o trabalho, durante 10 horas, é de 5.000 ppm, quase treze vezes mais alto que o nível atmosférico actual. Austrália, Áustria e Bélgica admitem, nesse período, uma exposição temporária a 30.000 ppm.
O nível tóxico surge por essa altura, cerca das 25.000 ppm, sessenta e quatro vezes acima do nível atmosférico atual. Essa toxicidade revela-se apenas por sensação subjetiva de falta de ar, dor de cabeça, descida da tensão arterial e aceleração do pulso.
O ar expirado, durante um ciclo respiratório, tem cerca de 40.000 ppm (4%) de CO2.
O nível letal é às 90.000 ppm, duzentas e trinta vezes acima do nível atmosférico actual, e para uma exposição de cinco minutos.
Se o CO2 desce abaixo de 180 a 200 ppm, na experiência dos horticultores, as plantas deixam de crescer e começam a morrer.
Não é por aqui que o gato vai às filhós. Quanto ao aumento de temperatura que o aumento do CO2 possa causar, a única resposta possível, até agora, é que há muitas opiniões, mas ninguém sabe.

6 comentários:

Apache disse...

Medir o CO2 atmosférico na vizinhança do Mauna Loa (um “rapazola” meio adormecido é para “betinhos”. Uns quilómetros mais para sudeste, em cima de uma das crateras do Kilauea é que era “fartar vilanagem”.

Baco disse...

Tive esse problema, tal como a maioria das pessoas :-)

Mas eles asseguram que controlam isso, vento pr'aqui, vento pr'ali -- o que era uma excelente piada só por si, mas a verdade é que bate bastante certo com pelo menos mais dois registos de CO2.

Gostava muito de dar o URL dos outro, mas não me ocorre.

Baco disse...

Aqui está! Para uma coisa mais completa, o Carbon Dioxide Information Analysis Center.

Para uma espreitadinha, aqui, procurar o gráfico "Trends in yearly averages of CO2 levels at different stations" na parte 3.

Apache disse...

Obrigado pela informação disponibilizada.

Não conheço outros registos de CO2, excepto um no Luxemburgo onde, apesar de estarmos longe do mar e de vulcões, os valores são mais altos que estes. O que estranho neste valor de Mauna Loa não é ser muito alto, pelo contrário, é ser muito baixo, dadas as características da zona. Gostava de acreditar que são medidas reais e não estimativas de computador, mas parece-me idêntico a acreditar no Pai-Natal.
Os gráficos (de Mauna Loa) de variação horária são ridículos. Em qualquer local, a variação das concentrações, do dia para a noite, é superior a 100 ppm [por exemplo: http://meteo.lcd.lu/7days_04.png]. Em Mauna Loa, não.
Em 1981 e 1982 as erupções vulcânicas eram pouco significativas, na região. Em 1983 o Kilauea entrou em erupção (que se mantém até hoje), os gráficos não reflectem esta erupção (49% do gás expelido pelo Kilauea é CO2), terão os ventos soprado sempre de feição? Em 1984 ocorreu uma erupção relativamente importante do Mauna Loa (simultânea à do Kilauea), os gráficos continuaram a mostrar uma subida “monótona” do CO2, não reflectindo também esse evento. Claro que os responsáveis pelo observatório dirão que introduzem correcções para evitar a influência destes factores. Eu (céptico inveterado) acho que eles corrigem tanto que ajustam a realidade às suas teorias, já que o contrário é impossível.

Baco disse...

Através do CDIAC, já conhece mais pontos de medição -- julgo que terá sido o tempo do verbo que falhou, acontece.

Admito que em se entrando em correcções não se sabe onde se vai parar... por isso quis também encontrar outros pontos de medição.

De momento, estou calmo quanto a concentração de CO2, uma vez que não se afastam muito uns dos outros (eh, pois também não os valores das temperaturas do CRU e do GISS...)

Calmo, até prova em contrário, porque já se sabe que as coisas acontecem de repente.

Baco disse...

Todos os dias descubro coisas novas. Esta nem sei ainda o que pensar dela. Pode ver aqui e aqui.