quinta-feira, 1 de abril de 2010

Terminou o inquérito parlamentar a Jones nos UK



Segundo alguns, Phil Jones e companhia saíram em ombros, completamente livres de todo o pecado, como se esperava. Ou, pelo menos, com acusações sem muito peso, coma a de ter aparentemente violado o Freedom Of Information Act, o que, como já vimos, já não leva a lado nenhum, por prescrever em seis meses.

Muitos bloguistas acham que Nigel Lawson, o céptico oficial, se portou mal ao aceitar que o “truque para esconder o declínio” era uma forma perfeitamente aceitável e científica de fazer coisas. Na realidade, tratou-se de esconder dados que não apoiavam a teoria.

Não é bem a minha opinião, no que respeita a Jones e à ciência do clima. Ambos levaram uns valentes tabefes.

O inquérito diz que Jones seguiu o que é habitual na ciência climática, e depois acusa toda a ciência climática de má prática. Cito (claro), a partir do blogue de Roger Pielke:

"It is self-evident that the disclosure of the CRU e-mails has damaged the reputation of UK climate science and, as views on global warming have become polarised, any deviation from the highest scientific standards will be pounced on. As we explained [...], the practices and methods of climate science are a key issue. If the practices of CRU are found to be in line with the rest of climate science, the question would arise whether climate science methods of operation need to change. In this event we would recommend that the scientific community should consider changing those practices to ensure greater transparency. . .
. . . A great responsibility rests on the shoulders of climate science: to provide the planet’s decision makers with the knowledge they need to secure our future. The challenge that this poses is extensive and some of these decisions risk our standard of living. When the prices to pay are so large, the knowledge on which these kinds of decisions are taken had better be right. The science must be irreproachable.”

[Trad.:] “É evidente que a publicação dos e-mails do CRU prejudicou a ciência climática dos UK e, já que os pontos de vista sobre o aquecimento global se polarizaram, qualquer desvio dos mais elevados padrões científicos será muito mal visto. Como explicámos, as práticas e métodos da ciência climática são um assunto chave. Se se determinar que as práticas do CRU se encontram a par das da restante ciência climática, surge a questão de se as formas de operar da ciência climática devem mudar. Neste caso, recomendaríamos que a comunidade científica deve considerar mudar essas práticas por forma a garantir maior transparência.
... Uma grande responsabilidade assenta nos ombros da ciência climática: dar aos decisores do planeta o conhecimento de que necessitam para garantir o nosso futuro. O desafio assim posto é extenso, e algumas dessas decisões põe em risco os nossos padrões de vida. Quando o preço a pagar é tão elevado, é melhor que o conhecimento sobre o qual se baseiam essas decisões esteja certo. A ciência tem de ser irrepreensível.”

 Pois também acho que não vão ler isto no Destak nem no DN. Até A Bola tem parecido mais informada (faça-se também honra a uns três diários e semanários de negócios e de análise política).
Em parte, os redactores do relatório remetem a bola para a comissão que está a investigar o CRU em East Anglia, e por outro parecem apontar para a necessidade de criar a célebre base de dados de temperaturas com acesso universal e imediato (transparência). Mas é também muito clara a mensagem: os meninos são aldrabões e têm de melhorar o vosso trabalho. Todos.

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