quinta-feira, 8 de abril de 2010

Vacas quase absolvidas


Que vida a nossa. Relata o Daily Telegraph que uns Herr Professor de Karlsruhe concluiram que as vacas também podem ser boas para o ambiente.

As boas das vacas soltam metano, involuntariamente, claro, mas também é verdade que cortam a erva, que protege as bactérias do solo da neve, bactérias que produzem NO2 (protóxido de azoto) (dióxido de azoto), que é um outro gás de estufa. Também conhecido como gás hilariante, um anestésico geral.


O doutos professores dizem que o estudo não toma em conta nem a produção de CO2 nem de metano no processo, pelo que a absolvição completa das vacas ainda não é possível. Além disso, o estudo refere-se a explorações na Mongólia Interior, em regiões onde neva, e não se aplica a todo o lado, e menos ainda à criação em regime intensivo.

Entretanto, o Daily Telegraph comete um erro crasso, ao dizer que o NO2 é "o terceiro gás de estufa mais importante, a seguir ao CO2 e ao metano". Como de costume, esquecem-se do vapor de água, que lhes leva a palma a todos. Não sei o que esta gente tem contra o vapor de água.

E não me venham dizer que um vapor não é um gás.

3 comentários:

Apache disse...

Há um pequeno lapso no seu texto. O protóxido de azoto (mais conhecido por óxido nitroso) tem como fórmula química N2O (e não NO2).

“E não me venham dizer que um vapor não é um gás.” Para a discussão do tema “efeito de estufa”, os dois termos são sinónimos.
Mas se quisermos ser muito rigorosos (do ponto de vista químico) temos que dizer que todos os vapores são gases mas nem todos os gases são vapores. Aproveito o exemplo da água: em condições de pressão e temperatura normal, a água passa de líquido a vapor aos 100 ºC, portanto, a água a 200 ºC é um gás, mas é também um vapor (significa que eu posso liquefazê-la (ou solidificá-la) sem lhe baixar a temperatura, aumentando-lhe a pressão), no entanto, a 400 ºC a água é (apenas) um gás mas não um vapor, porque é impossível liquefazê-la sem a arrefecer, pois encontra-se a uma temperatura superior ao seu ponto crítico (temperatura máxima a que é possível uma substância existir nos 3 estados físicos).

Baco disse...

Tem toda a razão! E não é um lapso, é mesmo um erro! Esse erro tem estado demasiado espalhado pela internet para eu acabar por não dar por ele.

A distinção entre vapor e gás, com base nesses critérios, pareceu-me sempre um tanto preciosa demais, uma vez que é apenas essa a distinção.

Obrigado.

Baco disse...

Preferia, no entanto, não usar o nome de óxido nitroso, uma vez que vem directamente do uso inglês. Se bem que seja, acho, compatível com a nomenclatura IUPAC -- já a não tenho muito presente. Repare como ali chamam óxido nitroso ao protóxido de azoto (N2O).

Tem sido esta a origem da confusão que, muito possivelmente, irei repetir dentro de uns meses. Pessoalmente, preferia o gás hilariante, sempre era mais divertido :-)

Mais uma vez, obrigado pela correcção.