quinta-feira, 13 de maio de 2010

Biocombustíveis? Não, obrigado

A República Checa deveria começar, a partir de 1 de Junho, a aumentar a percentagem de biocombustível para 4,1% na gasolina e 6% no gasóleo. Conta-nos Lubos Motl que Vaclav Klaus vetou a lei.
Justifica o seu veto de seguinte forma (em tradução informal):

A luta contra o CO2 é extremamente questionável. A sua base, a teoria do Aquecimento Global Antropogénico Catastrófico, tem sido sujeita a fortes críticas.
Depois de muitos escândalos que mostram que os dados foram tratados desonestamente, não é evidente que as alterações de temperatura resultem de outras causas que não sejam ciclos naturais.
O impacto do CO2, em especial o antropogénico, na temperatura, não estão demonstrados.
Não há uma revisão independente da ciência que postula as consequências hipotéticas das alterações climáticas, nem da avaliação dos gastos resultantes das políticas de redução do CO2.
Apesar disso, já se estão a gastar enormes quantidades de dinheiro e a aprovar novas políticas que estão a produzir efeitos negativos cada vez mais óbvios.
Espera-se de nós, presidente, dar mais passos a favor de políticas de correção cada vez mais duvidosa, em vez de reavaliarmos as abordagens até agora impensadas que só são bem-vindas por grupos com interesses nelas.
Os impactos da adição de biocombustíveis não foram avaliados de forma que mereça confiança. No entanto, existem estudos que concluem que estes são mais danosos para o ambiente que a gasolina e o gasóleo.
O objetivo europeu, ambicioso, de aumentar para 10%, em 2010, a incorporação de biocombustíveis pode conduzir ao desaparecimento de florestas e sua transformação em plantações, ao aumento do preço da comida devido à substituição da agricultura normal por uma de destino industrial, danos à vida selvagem e intrusões ao ambiente natural, em torno das plantações, que não vão ser mitigáveis.

O cultivo em larga escala de monoculturas industriais vai conduzir a uma produção de gases de estufa que não é negligível, erosão do solo, maior necessidade de fertilizantes, poluição de áreas até agora limpas, e significativo aumento de procura de água e transportes, todos estes aspectos com impacto ambiental negativo.
Há também sérias dúvidas sobre o impacto dos biocombustíveis na saúde humana. Irão ser emitidos novos tipos de gases de escape, e não há dados experimentais sobre o seu efeito na saúde.
A contribuição dos biocombustíveis para a independência energética do país é questionável. São apenas um aditivo, e não um substituinte. [...]
O uso de biocombustíveis irá reduzir o tempo de vida dos automóveis e aumentar o preço dos combustíveis.

Lubos Motl junta, no seu blog, mais uma coisinha ou outra, como as que se seguem.
A OCDE e a International Energy Agency, em 2008, diz que a introdução dos biocombustíveis faz pouco para reduzir as emissões de CO2 – que diacho, têm carbono à mesma, só que são menos eficientes e é preciso queimar ainda mais – enquanto por outro lado aumentam o preço de diversos bens, como a comida, e que se devem promover alternativas a estes combustíveis.
Um relatório feito pelo International Food Policy Institute para a Comissão Europeia e publicado em março diz que não se deve passar dos 5,6% de mistura de biocombustível, limite a partir do qual haverá um risco real de danos para a saúde. A Diretiva Europeia para as Energias Renováveis exige 10% de renováveis nos transportes, sendo 5,6% de biocombustíveis em primeira geração. Este número é impossível, uma vez que a eletricidade e biocombustíveis de segunda geração (biogás) nos transportes só vai estar disponível, de forma útil, em 2020.
Haverá, até ao final do ano, mais três relatórios à CE sobre a alteração do uso da terra em consequência do uso de biocombustíveis. Estas alterações no uso da terra diminuem em parte o que se ganharia pelo uso de biocombustíveis.
A estratégia europeia de biocombustíveis está a parecer cada vez mais insustentável”, diz o diretor da campanha de biocombustíveis da Friends of the Earth Europe. “A política da UE está a jogar com as maiores florestas tropicais do mundo, a crise alimentar e as alterações climáticas”.

-- Desculpa lá, mas preciso disso para o carro.

A Reuters noticiou, no final de abril, ter sido obtido, por vias legais, um relatório à Comissão Europeia que indica que os biocombustíveis produzem quatro vezes mais gases de estufa que o gasóleo (340 kg de CO2 por GJ para o biodiesel de soja nos US vs. 85 kg para o gasóleo fóssil; biodiesel europeu, 150 kg; etanol de beterraba europeu, 100 kg; 82 kg para o bioetanol sul-americano, 74 kg para o do sudoeste asiático). Outro receio é o desvio da produção agrícola da alimentação para os biocombustíveis, e a queima de florestas para novas áreas agrícolas.

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