quarta-feira, 5 de maio de 2010

Calem-me essa gente inferior e doente!

Donna Laframboise, defensora da liberdade de expressão, chama a atenção para a conferência de ontem dada por um Doutor em estudos ambientais na Universidade do Arizona, sobre porque é que os pontos de vista dos céticos tiveram demasiada visibilidade de imprensa e porque é que isso não pode acontecer mais. Ou seja, porque é que é preciso calar esses doentes mentais desses “negadores”.
O comunicado à imprensa que deve calá-los está aqui, e abaixo um excerto.

His public talk aims to promote understanding and discussion of how and why disproportionate media visibility has been provided for outlier views – particularly views often dubbed climate “contrarians,” “skeptics” and “denialists" – on various issues in climate science and governance.
Media coverage, from news to entertainment, is a critical link between how climate change is discussed among science and policy experts and the public and the everyday realities of how people experience climate change.
Outlier voices have gained more prominence and traction in mass media over time.
Boykoff suggests that when the media misrepresent or amplify these outlier views, they contribute to ongoing illusory, misleading and counterproductive debates within the public and policy communities and poorly serve the collective public.
Widely published on how the media covers climate change and on the cultural politics of the environment, Boykoff has ongoing interests in environmental governance, science and policy interactions, and political economics and the environment. “

Traduzo:

A sua conferência pretende promover a compreensão e discussão sobre como e porque foi dada uma visibilidade mediática desproporcionada ao desviantes – especialmente os frequentemente chamados “contrários”, “céticos” e “negadores” das alterações climáticas – em vários tópicos da ciência e gestão* climáticas.
A cobertura mediática, das notícias ao entretimento, é uma ligação crítica entre como as alterações climáticas são discutidas entre os peritos da ciência e da política e o público, e as realidades diárias de como a pessoas experimentam as alterações climáticas.
As vozes dos desviantes ganharam mais proeminência e tração nos media com o tempo.
Boykoff sugere que quando os media apresentam incorretamente ou amplificam estes pontos de vista dos desviantes, contribuem para a continuação de debates ilusórios, enganadores e contra-produtivos entre o público e as comunidades decisoras e servem mal o público no seu todo.
Muito publicado no que respeita à forma como os media cobrem as alterações climáticas e a política cultural ambiental, Boykoff está presentemente interessado na gestão* ambiental, interações entre ciência e política, e política económica e o ambiente.”

Ou seja: seus jornalistas idiotas, não sabiam que não podiam dar voz a esses desviantes? Que a ciência assente prova serem doentes? Pois para que saibam, vou-vos dizer como devem fazer.
A seguir pega-se fogo a, sei lá, uma ETAR e diz-se que foram os desviantes.



* - Preferi traduzir “governance” como gestão. O meu dicionário online diz: Governance (Gov"ern*ance, n.) [F. gouvernance.] Exercise of authority; control; government; arrangement. [1913 Webster] 
Como vêem, tenho um coração mole.

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