quinta-feira, 6 de maio de 2010

Redes sociais: uma história de encantar

Apareceu recentemente um artigo num certo Cypress Times sobre quem está ligado a quem na indústria do carbono. Normalmente estas coisas não me interessam, pela razão pouco sofisticada de eu ter pouca paciência para isso. Mas, desta vez, a Joanne Nova fez-nos o favor de explicar. Como, apesar de tudo, sou curioso, fui ler, e acabei por ficar surpreendido. Não muito, mas um bom bocado.
Estas coisas são sempre duvidosas, e temos de as tomar com uns poucos de grãos de sal. Em última análise, tudo está ligado a tudo; resta saber se a ligação funciona mesmo, ou se é só teórica. Por outro lado, conhece-se sempre um amigo que tem um amigo que pode dar uma palavrinha ali a propósito daquela nossa ideia.
Vamos fazer isto por partes. Podemos divertir-nos, mas não entusiasmar-nos muito.



Em tempos que já lá vão, o Al Gore e mais uns amigos ligados à Goldman Sachs – Peter Harris, Mark Ferguson e David Bloom (que esteve, mas já não está na Goldman Sachs) – criaram a GIM (Generation Investment Management) para comprar parte do Chicago Climate Exchange, uma das empresas corretoras de quotas de carbono.
Al Gore negou sempre ter qualquer ligação à Goldman Sachs, que também é proprietária parcial do CCX.
Não vale a pena falar-vos mais de quotas de carbono. É uma negociata em que se imprime papel que depois se vende a peso de ouro a empresas e a países. Nós, consumidores e contribuintes, pagamos esses papelinhos.
Naturalmente, para os rapazes se encherem de bago até rebentarem, e nós lhes pagarmos a festa, é preciso que o esquema das quotas de carbono seja implementado, ou seja, que toda a gente acredite no Aquecimento Global Antropogénico Catastrófico etc. etc. etc.
Acrescentei ali, como já sabemos, que o Gore é consultor sénior do Google, que diversificou para a produção eólica, o que dissemos à pouco tempo. Tudo isto é elementar.




No ano 2000, o CCX foi ajudado a começar por uma certa Joyce Foundation, que é uma daquelas organizações que ajuda as pessoas. Gere atualmente cerca de um milhão de milhões em fundos. É muitas vezes comparada à Fundação TIDES de Georg Soros, um financeiro que toda a gente gosta de detestar. Em tempos que já lá vão, dizem que foi responsável por arruinar várias divisas mundiais para proveito pessoal.
Em 2001, andava um sujeito cujo nome não é dito a fazer uma coisa qualquer (!) que ia permitir a negociação em quotas de carbono. Esta parte não me está nada clara, mas não se adianta mais nada. O homem morreu e a mulher vendeu a patente a Franklin Raes, diretor da Fanny Mae (FNMA), seguradora estatal de hipotecas da habitação, segundo entendo; e sujeito esse responsável por uma fraude maciça da contabilidade e “ativos tóxicos” que ajudou à queda dos mercados em 2008-9, o que ainda vamos continuar a pagar.
Os americanos, claro, estão danados com isto. A empresa que devia ajudá-los a ter casas mais baratas está, afinal, preparada para fazer montes de massa com um esquema que vai fazer o custo das casas subir. E pior ainda, nas mãos de um sujeito conhecido como tendo já produzido uma megafraude.




E qual é uma das outras grandes surpresas? Já a viram: Barack Obama era um dos diretores da Fundação Joyce na altura em que arrancou o CCX. E, claro, neste momento está em posição de ditar a política energética e de investigação dos Estados Unidos. Ou seja, para onde vai a investigação e para onde vai a facilitação de impostos na industria, e qual o rumo que a política energética deve tomar.
Nada indica que Obama ainda seja um dos diretores da Joyce. Mas fica-se sempre com uma ou outra amizade.
Esta, na essência, é a mensagem do artigo do Cypress Times e do post da Jo Nova.




Naturalmente, não fica por ali, e eu próprio posso acrescentar umas coisas andando às voltas no Google inventado pelo Gore. Ora adivinhem quem é o engenheiro ferroviário nosso conhecido que é consultor do Chicago Climate Exchange? Esse mesmo, o homem dono do IPCC, que por sua vez é dono da atribuição da popularidade científica na “ciência” climática, que determina as políticas ambientais e de negociação de carbono dos diversos países.
Homem que, já sabíamos, está muito ligado à TERI (estamos fartos de saber essa) e ao India Climate Exchange, que aparentemente é parte do Chicago Climate Exchange (o programa não me deixa fazer setas dessas).
Estamos todos em casa.





Só para estarmos em contexto, o CCX não anda por aí à solta. Recentemente, o International Exchange comprou o CCX, se entendi bem, através do Climate Exchange PLC. ICE esse que também é dono do European Climate Exchange e do Chicago Climate Futures Exchange. Futures é da pesada.
Esta parte não me interessou muito andar a investigar, e a organização pode não ser exatamente esta. Seguramente que há por aqui alguma coisa, especialmente para o lado europeu. Mas as empresas europeias são mais discretas que as americanas quanto a quem lá está. Ao fim de quase uma hora de buscas sem resultado, parei e fui mas é almoçar.



Se pelo lado europeu estava bloqueado, pelo lado americano as coisas já são mais simples, e eu até já tinha dado com a TIDES Foundation, que, diz numa caixa do resumo da Jo Nova, recebe fundos da Joyce Foundation. E quem é que vem atrás, imaginem? Uma data de ativistas, todos muito amigos, como o Greenpeace e a Union for Concerned Scientists, entre outros, todos eles a receber fundos da TIDES. Que, por sua vez, também recebe fundos de muito lado, mas também de vários departamentos dos Estados Unidos (mesmo link): Interior, EPA (!), Housing and Urban Development, Energy, etc. Curioso.



E andava eu a explorar essas ligações, e quem me cai no colo? A Fundação Rockefeller! Com David Rockefeller, o homem da Standard Oil e da ExxonMobil, do discretíssimo Clube Bilderberg, da Comissão Trilateral e do Council on Foreign Relations. Oh-oh... Estamos cá todos, só falta a parte europeia. Assim, quando o Durão Barroso e outros se queixam daqueles chatos dos regionalistas e nacionalistas, e falam de universalismo, sob a égide da ONU e tal, já não se estranha.



Como disse logo no princípio, isto tem tudo de ser tomado com um grande grão de sal. As pessoas, mesmo bem intencionadas, escrevem muita coisa na web. É difícil chegar a documentos sérios, se bem que algumas fontes sejam mais sérias que outras. As certezas não são possíveis. Mas há sugestões, que noutros casos não há.
Além disso, não se pode concluir daqui, por exemplo, que o Greenpeace recebe dinheiro do CCX. A Joyce Foundation ajudou a criar o CCX, e paga à TIDES, que dá uns dinheiros ao Greenpeace. Conclusões do pé para a mão seguindo linhas, não pode ser.
Mas no fundo, enfim, conhecem-se todos. Por exemplo, o CRU recebeu fundos da BP e da Shell (ver página de história do CRU); nos e-mails do climategate, se procurarmos por Shell, também lá a encontramos, depois de uns nutshell e bombshell.
E, como disse no princípio, tudo está ligado; resta saber se as ligações funcionam. Algumas, sem dúvida. E sem dúvida também que há a tal pessoa que conhece a outra pessoa que...
Mas a história é boa. Grande enredo. Espero que se tenham divertido.


1 comentário:

Baco disse...

Spaghetti carbonara.