terça-feira, 4 de maio de 2010

Um dia de nuvens?

Roy Spencer publicou mais um livro, em que argumenta contra o Aquecimento Global Antropogénico Catastrófico. Neste livro, temos nuvens.
Diz ele que as nuvens são as persianas naturais da Terra, e que consoante as há ou não assim temos arrefecimento ou aquecimento. Argumenta então uma posição de causalidade diametralmente oposta à dos teóricos do AGAC, que dizem que é o aquecimento que faz diminuir o número de nuvens, e o arrefecimento que as aumenta.
Voltamos a mais uma como a do CO2 e a temperatura, e a do ovo e da galinha. No que tem no seu blog não nos conta a solução do mistério.
Insiste ainda que os forcings das playstations dos cientistas climáticos não consideram os efeitos das nuvens, o que parece ser coisa em que todos estão de acordo. Vapor de água sim, mas nuvens não. E que isso dá a ilusão que as “persianas” não estão lá, e que consequentemente o clima é extremamente sensível, e que sendo assim o CO2 explica tudo. Trata-se, segundo Roy, de um sintoma de até que ponto é primitiva a nossa compreensão do clima.
Diz ele que, na realidade, o clima é bastante insensível. O clima faz o que sempre fez.
Acaba, no post, a dizer que é bom que se ponha mais CO2 na atmosfera. O que eu também acho: CO2 é vida. Acha que é surpreendentemente pouco o CO2 que a atmosfera contém e que devemos pensar se a Vida na Terra não está, também, com falta de CO2 – e lá vai incorporando na biomassa cerca de 50% do que emitimos, dizem uns. Bioesfera essa, digo, cuja variabilidade e adaptação também tem sido vastamente ignorada.
Como já disse aqui, as nuvens são coisas de que ignoramos absolutamente tudo. A tal ponto que nem temos um método decente para medir a percentagem de céu coberto por elas. Mas estão, e sempre estiveram, ali, por cima da nossa cabeça. Curioso, isto.
Ver também Mitos Climáticos.
Entretanto, Pielke O Velho traz um post sobre a importância dos feedbacks (forcings) atribuídos a nuvens nos modelos climáticos, a propósito de uma apresentação para um congresso, aqui. A pergunta é, estão lá? A resposta é que as nuvens baixas estão avaliadas, nos modelos, como tendo um albedo (capacidade de reflectir radiação) duas vezes maior que as medidas, causando assim um feed-back (forcing negativo) devido ao vapor de água em nuvens baixas quatro vezes maior do que resulta dos modelos.

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