sábado, 23 de janeiro de 2010

Arrasemos-lhes as cidades para eles se sentirem melhor

http://blogs.telegraph.co.uk/news/jamesdelingpole/100023339/james-hansen-would-you-buy-a-used-temperature-data-set-from-this-man/

Keith Farnish, ecoterrorista, diz o seguinte no seu novo livro, Time's Up:

A única forma de prevenir o colapso ecológico global e assim assegurar a sobrevivência da humanidade é livrar o mundo da civilização industrial.”

Continua: “Raramente tenho medo de dizer a verdade, mas algumas verdades são mais difíceis de dizer que outras: uma delas é que as pessoas vão morrer em grandes números quando a civilização colapsar. Salte fora da civilização e terá uma muito boa oportunidade de sobreviver ao inevitável; continue dentro e quando a derrocada [da civilização industrial] acontecer pode não haver absolutamente nada que possa fazer para se salvar.

A velocidade e intensidade da derrocada vai depender imenso do número de pessoas que têm necessidades mais estruturais – tais como a produção de comida, de energia e de cuidados de saúde – que têm de ser providenciados pela civilização em colapso; um maior número de pessoas cria mais tensões sociais e mais oportunidades para extremismo e violência; mais pessoas criam mais resíduos, lixo e cadáveres, coisas que promovem a doença e a morte.”

Esta linha neo-malthusiana é conhecida desde há décadas, e diz que há que reduzir a população abaixo dos dois mil milhões para a assegurar sustentabilidade planetária . Mais sustentabilidade para uns muito poucos, e muito menos para todos os outros.

O nosso simpático ecoterrorista dá-nos esta pequena pedra preciosa:

Reduzir a carga significa, essencialmente, a remoção de uma carga existente: por exemplo, remover os animais domésticos que pastam, arrasar as cidades completamente, fazer explodir as barragens, e desligar a máquina de emissão dos gases com efeito de estufa. O processo de redução de carga ecológica é uma acumulação de muitas coisas que expliquei neste capítulo, em conjunto com um (quase de certeza necessário) elemento de sabotagem.”

Que giro. Ainda dizem mal dos terroristas islâmicos. Isto é uma ideologia “vou matar-te, para impedir que te suicides”? Mas esperem, há mais ecoterroristas. Nada mais nada menos que James Hansen, do GISS da NASA, de quem temos falado tanto recentemente. Diz ele num comentário ao livro do Keith Farnish, no Amazon:

O Keith Farnish tem razão: o tempo está quase esgotado, e o problema é o 'sistema'. Os governos estão na mão dos interesses dos combustíveis fósseis e não vão cuidar nem do nosso bem-estar nem do do planeta até que os forcemos a fazê-lo, e isso vai requerer um esforço enorme.”

Oh, arrasar as cidades e as barragens para promover o nosso bem-estar. Estou tão emocionado. Já se fala do Ku Klux Klimate. Como diz um comentador: porque é que esta gente não está presa?

Update: mais e ainda mais grave aqui.

Tendências de temperatura desde 1659

http://motls.blogspot.com/2010/01/warming-trends-in-england-from-1659.html

Lubos Motl pegou nas temperaturas registadas para o centro da Inglaterra desde 1691 e viu as tendências das temperaturas segundo períodos de 30 anos, chegando a esta lista de top ten:

1691 - 1720, 5.039 °C/century
1978 - 2007, 5.038 °C/century
1977 - 2006, 4.95 °C/century
1690 - 1719, 4.754 °C/century
1979 - 2008, 4.705 °C/century
1688 - 1717, 4.7 °C/century
1692 - 1721, 4.642 °C/century
1694 - 1723, 4.524 °C/century
1689 - 1718, 4.446 °C/century
1687 - 1716, 4.333 °C/century

O período de 1978 a 2007, com 5,038 ºC/século, não é uma subida nunca vista. Os que começaram em 1691, 1690, 1688, 1699, etc... tiveram tendências comparáveis.

Note-se que os valores estão dados em milésimas, mas que as medições reais dificilmente conseguem menos de 1 ºC de erro; o erro da medição é muito maior.

NASA GISS também perdeu os ficheiros?

http://climateaudit.org/2010/01/23/nasa-hide-this-after-jim-checks-it/

O problema dos anos 1934 e 1998 parece dar pano para mangas.

McIntyre relaciona-o com um erro do ano 2000 no processamento do NASA GISS (gráfico acima), nunca resolvido, e mais umas coisas.

Os e-mails publicados ao abrigo do FOIA nos EEUU, a pedido do Judicial Watch, são lidos por McIntyre, a quem um, dizendo "Esconde isto depois do Jim ter verificado" chamou a atenção. O assunto envolve os insuspeitos do costume: James Hansen, Gavin Schmidt, e alguns figurantes. Do outro lado da barricada (ou barracada), McIntyre e Anthony Watts.

No meio da correnteza de emails fica a saber-se que o NASA GISS "ajustou" as temperaturas antes de 2000, para esconder um erro de processamento em torno do ano 2000, e depois... perdeu o ficheiro com os dados originais. Diz Hansen, "não vamos sobreviver a isto se dissermos isso": "The appropriate response is to show the curves for U.S. and global temperatures before and after McIntyre’s correction. Makiko doubts that his is possible because the earlier result has been ‘thrown away’. We will never live this down if we give such a statement."

No mesmo parágrafo, acha que talvez seja uma ideia fazer backups uma vez por ano (!). Isto é a NASA?

Uh-oh... von Storch acusa Nature de inventar citações

http://bishophill.squarespace.com/blog/2010/1/21/hans-von-storch-says-nature-invented-quotes.html

Hans von Storch diz no seu blog que as citações que lhe são atribuídas por Quirin Schiermeier num artigo da Nature (ambas sobre modelos regionais) não existiram.

"Estive em contacto com Quirin Schiermeier mais cedo neste ano, a propósito de mitos sobre alterações climáticas. Ofereci-lhe três casos, sendo que nenhum tinha a ver com modelos regionais. Disse-me que iria usar o primeiro, mas obviamente decidiu usar o meu nome de outra forma."

Cartoon: Pachauri chega à banda desenhada

Times of India

Mais uma análise dos emails do Climategate

http://scienceandpublicpolicy.org/images/stories/papers/reprint/climategate_analysis.pdf

O SPPI lança ainda mais uma análise dos e-mails do Climategate (PDF, 150 págs.), discutidos peça por peça (mas não todos os mil e tal, claro).

Por esta altura estes e-mails devem ser uma das peças mais lidas da internet.

IPCC exclui artigos

http://pielkeclimatesci.wordpress.com/2010/01/19/example-of-the-lack-of-due-diligence-of-the-ipcc-summarized-by-benny-peiser/
http://pielkeclimatesci.wordpress.com/2007/06/20/documentation-of-ipcc-wg1-bias-by-roger-a-pielke-sr-and-dallas-staley-part-i/
http://pielkeclimatesci.wordpress.com/2007/07/20/documentation-of-ipcc-wg1-bias-by-roger-a-pielke-sr-and-dallas-staley-part-ii/

Pielke Sr. apresenta documentação diversa que prova que o IPCC excluiu documentação científica que contrariava o ponto de vista alarmista.

"Os Autores Principais Coordenadores de ambos os capítulos excluíram literatura revista por pares disponível que estava em conflito com as suas conclusões para esses capítulos."

Em vez disso, como já vimos, preferem telefonemas, revistas populares e citações de organizações ecoterroristas.

Mais vale predizer secas com os números do Totoloto

http://joannenova.com.au/2010/01/droughts-might-not-be-due-to-carbon-dioxide-says-csiro/#more-6109

Diz Joanne Nova que em Setembro o Canberra Times dizia que o CSIRO dizia (ufa...) que a seca de 13 anos se devia ao aquecimento global; pois agora diz que um dos co-autores acha que não é devido ao aquecimento global.

Entretanto, lá foram sete milhões de dólares australianos.

Diz ela que o estudo de Setembro foi feito com o velho e bem conhecido truque de subtrair todas as causas naturais e, ao que fica e não tem explicação, chamar “aquecimento global”. Ou, como dizia alguém do IPCC, não sabemos o que é, portanto só pode ser o dióxido de carbono.

Menciona ainda que se encontrou que os modelos de clima são piores a fazer previsões do que uma sequência de números aleatórios – predizem a tendência ao contrário (adivinhem: predizem que há mais ou menos seca?)

Eu já tinha proposto o Tarot antes, mas deve ser muito complicado.

 

Aquece mais em não havendo estações meteorológicas

http://noconsensus.wordpress.com/2010/01/22/3623/#more-7628

Metade do aquecimento global ocorreu depois de 1990 -- quando mais de metade das estações meteorológicas foram fechadas.

Ajustamentos

 


http://noconsensus.wordpress.com/2010/01/20/do-%E2%80%9Cadjustments%E2%80%9D-lead-to-a-warming-bias/

Um certo Craig Loehle encontrou a descrição do algoritmo de ajustamento de temperaturas usado pelo GISS, Hadley Center e GISS e comparou os resultados com as temperaturas sem tratamento.

Não há um ajustamentos até cerca de 1840, depois as temperaturas são ajustadas para baixo (-0,25 ºC) e depois lineramente para cima de volta a nenhum ajustamento.

"Os resultados acima apontam ou para um problema conceptual com os ajustamentos automatizados, ou um problema de implementação de software. Também parece que o algoritmo está a ajustar tendências, e não apenas médias como seria adequado se a estação mudasse de sítio ou os instrumentos fossem mudados."

2009: segundo ano mais quente desde 1880, diz o GISS

http://bobtisdale.blogspot.com/2010/01/was-2009-warmest-year-on-record-in.html

Mas, numa análise preliminar, está em contradição com os dados UAH e NCDC. O erro parece estar nos dados de temperaturas de terra do GISS.

http://www.nasa.gov/home/hqnews/2010/jan/HQ_10-017_Warmest_temps.html

A NASA (GISS é NASA) diz ainda que 2009 foi o segundo mais quente desde 1880, e a década de 2000-2009 a mais quente desde os registos.

Isso tinha sido previsto por Bob Tisdale em novembro passado. Aparentemente, tem a ver com um efeito cumulativo do El Niño e a forma de processá-lo. Lamento, infelizmente, não compreender.

A Terra preferiu não aquecer

http://ams.allenpress.com/perlserv/?request=get-abstract&doi=10.1175%2F2009JCLI3461.1

http://wattsupwiththat.com/2010/01/19/brookhaven-national-laboratory-why-hasnt-earth-warmed-as-much-as-expected/#more-15417

O aquecimento da Terra desde o início da idade industrial, e em consequência (calculada) do aumento de CO2, foi de 1,4 F, quando se esperava 3,8 F.

Ora bolas. Isso levanta alguns problemas.

Falta de falta de água

http://wattsupwiththat.com/2010/01/18/the-ipcc-hiding-the-decline-in-the-future-global-population-at-risk-of-water-shortage/#more-15401

Sobre a figura SPM.2 do SPM, diz o IPCC que centenas de milhões de pessoas serão sujeitas a falta de água.

Mas é só metade da história: faz-se notar que, embora isso seja verdade, muitas mais deixarão de ter falta de água. Por 2080, a população em risco de falta de água, seguindo os cenários do IPCC, pode diminuir em cerca de 2 mil milhões de pessoas.

Esta manipulação da verdade foi necessariamente consciente.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Mais Pielke e as catástrofes

http://rogerpielkejr.blogspot.com/2010/01/castles-built-on-sand.html

O IPCC publicou este gráfico acima.

Ora, diz Pielke Jr. que a referência para o artigo, em baixo na imagem em letrinhas pequenas, não é de um artigo científico (revisto), mas de um ensaio publicado pelo autor, que se encontra aqui (dou o URL, mas é verdade que não consigo abrir o link).

Mesmo assim, este ensaio não foi incluído na lista de obras a incluir pelo IPCC (enfim, entrou às escondidas), não apoia as afirmações feitas pelo IPCC de crescentes desastres relacionados com alterações climáticas antropogénicas, e... não tem lá o gráfico sequer.

O ensaio reapareceu, substancialmente revisto, incluído num livro que pode ser encontrado aqui no Google. Pielke duvida que tenha sido revisto por pares; mas, de qualquer modo, o ensaio chega a estas conclusões:

  • não há indicações suficientes para que se possa dizer que há uma relação estatisticamente significativa entre o aumento global de temperatura e os prejuízos normalizados resultantes de catástrofes.

  • em resumo, encontrámos indicações limitadas de uma tendência crescente nos prejuízos normalizados de 1970 a 2005, e indícios insuficientes para que se possa afirmar uma ligação firme entre o aquecimento global e os prejuízos por catástrofes.

Mais barretes...

IPCC esquece-se de falar com um cientista

http://rogerpielkejr.blogspot.com/2010/01/what-does-pielke-think-about-this.html

http://rogerpielkejr.blogspot.com/2010/01/primer-on-egregious-eroors-in-ipcc-wg2.html

Roger Pielke Jr. é especialista em desastres (a sério!).

Um comentador do seu blog chamou-lhe a atenção para o AR4 WG2 (que tem estado também a levar pancada por causa dos erros com os glaciares dos Himalaias) e ele, sendo desconfiado do IPCC, por, diz ele, já por mais de uma vez dizerem que ele disse coisas que não disse, encontrou mais coisas.

Um cientista comenta nesse documento que determinado conceito era inadequado por sugerir que os danos por mau tempo em 2004 e 2005 punham em questão o trabalho de Pielke, e perguntava o que é que o Pielke pensava disso.

Alguém no IPCC não se faz de modas e diz que acha que o apresentado é suficiente para fazer o Pielke mudar de opinião.

Mas ao Pielke ninguém perguntou nada! Isto apesar de ele até já ter publicado, recentemente (para a altura) as suas próprias conclusões sobre o assunto e que, em poucas palavras, são que: sim, em 2004 e 2005 houve mais danos, mas as tempestades não aumentaram nem em frequência nem intensidade, pelo que há que procurar factores sociais.

Outro cientista diz que "Por razões desconhecidas, esta afirmação [a contribuição destas tendências relativas ao tempo para os danos causados pelo tempo] (que parece concordar implicitamente com o Roger e a conclusão da workshop de maio de 2006 de que os factores sociais são predominantes) foi retirada do SPM [Summary for Policymakers] final. Agora, o SPM não tem nenhuma afirmação quanto à atribuição das perdas em desastres naturais, e nós não sabemos qual é por aqui o "consenso"".

Mais uma fraudezinha do IPCC.

Godfrey Bloom no Parlamento Europeu

Com a devida vénia ao Ecotretas, não se esqueçam de ver Godfrey Bloom a falar de AGAC no Parlamento europeu.

Pergunta ultra-rápida: Godfrey Bloom é:

  • teórico da conspiração
  • clinicamente paranóico
  • partidário da terra plana
  • partidário de que o homem nunca foi à Lua

Pachauri redefinido

http://eureferendum.blogspot.com/2010/01/changing-climate.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

As qualificações de Pachauri na imprensa parece estarem a ser redefinidas.

Se antes era o "cientista climático de ponta", o que era evidentemente incorrecto para um vulgar burocrata da ONU, está a ser redefinido como "controverso", "lobista", "antigo engenheiro ferroviário" e "arrogante".

Não é tão giro, mas é muito mais correcto.

Se não acertamos com a ciência, talvez um gestor de relações públicas?

http://www.nature.com/nature/journal/v463/n7279/full/463269a.html

É caso para dizer que diga outra vez.

Um editorial da Nature de ontem avança que, como os horríveis cépticos andam a afiar a faca atrás de todas as barracas que os nobres "cientistas do clima" dão, então o melhor é... contratar gestores de relações públicas. I'm impressed.

O título e subtítulo do editorial são: "Clima de suspeita - com os cépticos das alterações climáticas à espera de poder dar pancada em todas as incertezas científicas, os investigadores precisam de uma estratégia de comunicação sofisticada".

Lá para o fim: "E o mensageiro importa pelo menos tanto quanto a mensagem. As pessoas têm mais fé nos peritos -- e cientistas -- quando acham que o interlocutor partilha os seus valores. A comunidade de investigação em alterações climáticas faria assim bem em usar conjuntos diferentes de vozes com backgrounds diferentes ao comunicar com os decisores e o público." [...]

"Por mais conforto que venha de pensar que são as melhores provas que irão eventualmente convencer o público por si só, os cientistas do clima já não podem continuar com esse pressuposto ingénuo."

Diga lá outra vez?

IPCC: mais erros com glaciares

http://seattletimes.nwsource.com/html/businesstechnology/2010845740_apsciunclimatechange.html

http://www.sciencemag.org/cgi/eletters/326/5955/924

Estes erros foram expostos pelo Prof Graham Cogley, Prof. de geografia e glaciologia na Univ. de Peterborough, no Canada, numa carta à revista de divulgação científica Science.

      1. Os glaciares dos Himalaias estão a derreter muito mais depressa que os outros. Cogley e Michael Zempf, do Sistema Mundial de Monitorização de Glaciares, dizem que estão a fazê-lo à mesma velocidade que os outros.

      2. Os glaciares dos Himalaias vão estar derretidos em 2035. Esta já conhecemos.

      3. A área total vai reduzir-se dos actuais 500.000 km2 para 100.000 em 2035. Acontece também que a área actual é de 33.000 km2.

      4. Todo o o parágrafo é atribuído ao WWF, mas o WWF tende a apenas citar revistas de divulgação, e não artigos revistos por pares (peer-reviewed). No entanto, apenas uma frase tem origem no WWF. E, acrescentemos, o IPCC gaba-se de apenas publicar dados de revistas com revisão por pares. O que voltou a não fazer aqui.

      5. Uma tabela diz que entre 1845 e 1965 o glaciar Pindari recedeu 2480 m, e conclui que o fez a taxa de 135,2 m/ano, quando na realidade é de apenas 23,5 m/ano.

IPCC pede desculpa pelos engano dos glaciares

http://www.cnn.com/2010/WORLD/asiapcf/01/20/glacier.himalayas.ipcc.error/index.html

O painel de peritos do IPCC pediu desculpa por ter publicado que os glaciares do Himalaias estariam derretidos em 2035, dizendo que o que publicaram estava mal substanciado e que não foram aplicados os bem estabelecidos padrões de prova.

No entanto, insistem que os glaciares estão a derreter, e esperam que derretam ainda mais depressa.

Este pedido de desculpas deve-se a ter-se conhecido a história da afirmação de que os glaciares dos Himalaias estariam derretidos em 2035.

Poderá ter origem num obscuro artigo científico russo que dizia que estariam derretidos em 2350, e 2035 ser uma gralha jeitosa.

O New Scientist publicou essa história a partir de um telefonema a um cientista indiano.

Entretanto o World Wildlife Fund publicou essa afirmação, e o IPCC publicou-a a partir das afirmações do WWF.

O cientista indiano diz que nunca publicou essa afirmação em nenhuma revista científica.

Agora, o New Scientist exige explicações ao IPCC.

Como diz um comentador, parecia um daqueles joguinhos de salão em que se vão dizendo segredos uns aos outros, até se obter um resultado desconexo.

Entretanto, Raina, cuja posição adversa ao IPCC foi apelidada por Pachauri de "ciência vudu", exige de Pachauri desculpas pessoais. Pachauri, no entanto, continua evasivo sobre este assunto, indicando uma conferência de imprensa próxima.

Climategate: iniciado inquérito parlamentar

http://www.parliament.uk/parliamentary_committees/science_technology/s_t_pn14_100122.cfm
http://climateaudit.org/2010/01/22/uk-parliamentary-inquiry-into-cru/

Os UK iniciaram um inquérito parlamentar à falta de divulgação de dados do CRU e ao conteúdo dos e-mails do Climategate, por forma a determinar se existiu manipulação ou supressão de dados.

Críticas ao artigo de análise dos dados ERBE

O trabalho de Lindzen e Choi com o satélite ERBE que mencionei aqui e aqui, e que contraria onze modelos de computador, recebeu críticas que me parecem importantes e que vou referir:

  • uso de uma versão antiga e não corrigida dos dados ERBE

  • ignorar um conhecido “temporal aliasing” dos dados ERBE

  • comparar apenas com um modelo que apenas usa atmosfera e não atmosfera e oceano acoplados

  • má gestão das respostas directas às mudanças da temperatura da superfície do mar.

McIntyre diz que estes erros podem ser corrigidos. Acrescenta ainda estas críticas:

  • Inferir para toda a terra a partir da região tropical apenas

  • Considerar apenas feedbacks para processos rápidos

  • Resultados pouco plausíveis para o que foi realmente analisado (requerem mais explicações)

  • Modelo climático simplificado

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Mais uma revisão do Climategate

http://poneke.wordpress.com/2010/01/15/gate/

Mais uma revisão do climategate.

"Enquanto jornalista, acredito que os e-mails do Climategate expuseram uma das histórias mais significativas da nova década. Como os principais media até agora mal foram para além de dar aos que os escreveram e aos seus apoiantes tempo e espaço para negarem os seus inegáveis contéudos, apresento aqui um relato jornalístico extenso do que disseram no contexto das datas e acontecimentos nos quais foram escritos, com links para os e-mails.

"Tendo agora lido todos os e-mails do Climategate, posso demonstrar de modo conclusivo que mostram um nível de fraude científica da mais pasmosa, que merece a maior exposição pública."

Update: Li. Nem é muito grande, nem traz muitas novidades, a não ser para quem não esteja ainda muito dentro do assunto.

Google e a censura

http://network.nationalpost.com/np/blogs/fpcomment/archive/2010/01/16/lawrence-solomon-better-off-with-bing.aspx

Ainda anteontem se escrevia sobre a opção totalitária do Google em, por um lado, censurar as página com Climategate (o Al Gore é lá consultor sénior) e, por outro, ter ajudado a China a fazer desaparecer das pesquisas sites inteiros.

Pielke Jr.: Sistematicamente enganosos

http://rogerpielkejr.blogspot.com/2009/06/systematic-misrepresentation-of-science.html

Roger Pielke Jr. conta que na área em que tem conhecimento pericial (Desastres e Alterações Climáticas) tem sido uma área em que tem testemunhado grande quantidade de malandrices.

Enumera:

  • citação e uso de estudos que não podem ser sustentados nem foram revistos por pares [olha, como com os glaciares dos Himalaias?]

  • idem com trabalhos conduzidos pelos próprios autores dos relatórios de avaliação (Assessment Reports)

  • uso repetido de um número reduzido de artigos de origens secundárias e terciárias, de tal forma que é impossível encontrar o original

Apresenta (alguns poucos) exemplos.

Mistério: Corais e esponjas

  1. http://climateaudit.org/2006/04/09/hansen-and-schmidt-predicting-the-past/#comment-48219

  2. http://wattsupwiththat.com/2009/11/13/sea-sponges-soak-up-carbon-like-a-sponge/

  3. http://jeb.biologists.org/cgi/content/full/212/23/i

  4. http://wattsupwiththat.com/2010/01/11/not-as-bad-as-we-thought-coral-can-recover-from-climate-change-damage/

  5. http://wattsupwiththat.com/2009/12/01/oh-snap-co2-causes-ocean-critters-to-build-more-shells/

  6. http://wattsupwiththat.com/2009/01/31/ocean-acidification-and-corals/

Os corais (e as esponjas) continuam um mistério na forma como se comportam frente às ameaças teóricas do aquecimento global.

O primeiro URL ali em cima conduz a um comentário, a que se seguem muitos, com referências.

Pessoalmente considero-me confundido. Uma coisa é clara, no entanto: não se portam na realidade como os cientistas das PlayStations prevêem que se portem.

Carta aberta de mais um cientista que deixou o IPCC

http://sciencepolicy.colorado.edu/prometheus/archives/science_policy_general/000318chris_landsea_leaves.html

Em 2005, Chris Landsea decidiu abandonar o IPCC – devo dizer, tal como muitos outros.

Escreveu aos colegas uma carta aberta em que se queixa que a área em que contribui está politizada.

Para o AR4 (2007), Kevin Trenberth pediu-lhe que escrevesse sobre furacões, no que concordou.

Pouco depois Trenberth participou numa conferência em que o assunto era o aumento em actividade e energia dos furacões. Daí resultou que os media atribuíssem, nesse ano (2004) todos os furacões ao aquecimento global antropogénico. As transcrições da conferência mostram que Trenberth foi citado correctamente.

Landsea achou estranho que os participantes achassem que o \AG influenciasse a actividade dos furacões, já que nenhum dos participantes alguma vez tinha trabalhado nessa área, e nenhuma investigação anterior e de então mostrava qualquer tendência fiável, a longo prazo, de aumento na frequência ou intensidade de furacões ou ciclones tropicais, quer no Atlântico quer noutros lados. Também os relatórios do IPCC de 1995 e 2001 não tinham concluído isso.

Além disso, os indícios trazidos pelos estudos mais recentes e credíveis mostram que qualquer impacto futuro do AG em furacões será muito pequeno. Mesmo 5% será um exagero, no que respeita ao fim do século XXI.

Landsea ficou surpreendido que os colegas usassem os media para promover uma agenda sem bases científicas. Dado o papel de Trenberth na elaboração do AR4 do IPCC, ficou Landsea a duvidar que pudesse produzir uma avaliação escrita objectiva.

De facto, ficou a pensar que alguns colegas se identificavam com o IPCC, usavam essa identificação e faziam afirmações com pouca relação com a ciência.

Landsea falou com Trenberth e outros no IPCC e não foi considerado.

Considera que o processo do IPCC foi subvertido, se encontra comprometido e não é isento.

Também acha estranho que Kevin Trenberth, que fala à-vontade de furacões com a imprensa, já o não faz na Conferência sobre Mudanças e Variabilidade Climática, onde fez várias apresentações; talvez porque as suas especulações não se aguentassem perante o escrutínio de colegas.

Conclui dizendo que não pode continuar a colaborar de boa fé num processo que considera motivado por agendas preconcebidas e sem fundamento científico.

No estado actual do nosso conhecimento...

http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/7081331.stm

Este é o resumo de um artigo de John Christy, Professor de Ciências Atmosféricas na Universidade do Alabama, e publicado em novembro de 2007. Trata-se de um texto que, apesar de estar escrito na voz do Prof Christy, passou pelo filtro da minha interpretação e resumo. Estão convidados a ler o original.

Enquanto muitos dos participantes nos relatórios do IPCC são objectivos, há dois pontos a notar: a elaboração dos relatórios é um processo que até certo ponto é político, e o sistema do clima é muito complexo, de tal forma que nem podemos prever bem o tempo para daqui a cinco dias.

O processo político começa com a selecção dos autores principais pelo seu governo, mas pode ir mais longe.

Num encontro do IPCC, sentei-me para almoçar à mesa de três autores principais europeus. A conversa deles ao almoço resumia-se a “Temos de escrever o relatório de uma forma suficientemente forte para convencer os EEUU a assinar o protocolo de Quioto”. A política, pelo menos para alguns autores, faz parte do processo.

Os cientistas também sofrem da tendência humana em cair em pensamento de rebanho, ou pensamento colectivo. Não querem ficar de fora do grupo. Na minha opinião, isto conduz a uma afirmação excessiva da confiança nos resultados publicados e a uma aceitação dos pontos de vista das autoridades ungidas. O cepticismo, a verdadeira marca do espírito científico, torna-se reprovável.

A afirmação final do AR4 do IPCC (2007) pode ser resumida em: “Temos 90% de confiança que a maior parte do aquecimento dos últimos 50 anos é devida à humanidade.” Não nos dizem que isto resulta de um modelo de computador e não de dados de observação. Na verdade, não temos termómetros que distingam entre o aquecimento antropogénico e o de outras causas. Eu teria escrito esta conclusão desta maneira: “Os nossos modelos do clima são incapazes de reproduzir os últimos 50 anos de temperaturas de superfície sem que lhes demos um jeitinho na base da forma como nós achamos que os gases de estufa afectam o clima. Grande parte destas alterações podem ter sido causadas por outros factores.”

A elevação dos modelos climáticos ao status de ferramenta infalível para fazer previsões leva à tentação do excesso de confiança.

São a ferramenta básica para estimarmos o clima futuro. Vendo como os valores produzidos pelos modelos se adequam, nos gráficos, aos observados, pessoas que não sabem muito de modelos climáticos são persuadidas que estes modelos são bastante precisos.

Mas esta opinião tem uma falha fundamental: cada modelador sabia a resposta antes. Além disso, isto não é experimentação nenhuma: pode ser conseguido apenas com boa engenharia de software e não necessariamente com recurso a princípios científicos.

O nosso grupo estava envolvido na preparação de conjuntos de dados. Nesta situação, devemos desconfiar de argumentos de autoridade quando não coincidem com os dados observados, por mais imperfeitos que estes sejam.

Nas comparações de modelos contra dados reais encontramos inconsistências grosseiras, pelo que estou muito duvidoso da nossa capacidade para falar dos estados climáticos futuros com conhecimento de causa e efeito.

Achar que é possível tentar reproduzir em computador os milhões de processos naturais é de um orgulho desmedido. Fazer previsões do clima em função dos aumentos dos gases de estufa ainda tem uma enorme incerteza.

Como podemos melhorar esta situação? Uma forma semelhante à adoptada pelo IPCC é a melhor que é possível.

Os autores com pontos de vista alternativos devem poder receber o mesmo protocolo que os do IPCC, ou seja, serem os seus próprios revisores finais e decidirem o que, deles, é e não é publicado. Essas decisões seriam publicadas num forum quase-oficial. Nesse ponto, penso que a blogosfera entraria em erupção, conduzindo a uma clarificação.

Continuo a trabalhar com o IPCC até que algum funcionário me dê uma bola preta: não só posso contribuir com a minha investigação, como tenho muitas oportunidades para aprender coisas novas; e consigo sobreviver aos desentendimentos sobre nuances e afirmações subjectivas.

Entendam-me: na minha opinião, o CO2 atmosférico continua a aumentar devido aos benefícios indiscutíveis da energia com base no carbono. Esse aumento terá algum impacto directo no clima.

No entanto, a investigação nesta área é pouca, e a minha investigação indica que nada de dramático se está a passar.

O melhor que posso dizer é repetir o que o meu professor de física do liceu me disse: que, sempre que fizéssemos uma afirmação no domínio da ciência, devíamos começar com “No nosso actual nível de ignorância, achamos que sabemos que...

Um bom conselho para todos nós e para o IPCC.

Neva na Austrália


http://www.theaustralian.com.au/news/summer-snow-a-surprise-for-holidaymakers/story-e6frg6o6-1225820913288
 
Pois é. Nuns sítios estão com 35 ºC, noutros neva nos 900 m.  

Update: Ainda que a notícia esteja dada como podem ver no link, os locais, em comentários, dizem que isto não é nada de extraordinário, e que há lugares onde neva quatro e cinco vezes no verão. Outra "não-notícia"?

domingo, 17 de janeiro de 2010

Cartoon: o herege

Desculpem, mas é irresistível:

-- Pronto! Acredito que é o Homem que provoca o aquecimento global!

-- Muito bem... Devolvam os fundos de investigação ao herege.

BBC parece desconfiada do Met Office

http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/8462890.stm
http://entertainment.timesonline.co.uk/tol/arts_and_entertainment/tv_and_radio/article6991064.ece
http://www.dailymail.co.uk/news/article-1243846/Met-Office-accused-warm-bias-BBC-weatherman.html

Alguns comentadores acham que o UK Met Office tem de ter mais cuidado com as suas previsões a longo prazo ou fica em maus lençóis. Os peritos indicam haver uma ligeira tendência para prever tempo mais quente do que o que ocorre, e que essa tendência não devia existir (quando os erros são sempre para o mesmo lado, não são erros).

Um certo Prof Mobbs diz "Pode ser, tal como o Met Office sugere, que sejam as observações que estão erradas e não o modelo." Podemos deitar fora a realidade, as nossas contas são óptimas. Como é possível dizer isto e supor-se ser ainda homem de ciência? Não é.

Um artigo de Steven Swinford menciona que a BBC está a ponderar deixar de usar o Met Office (74% das pessoas acham as previsões incorrectas) e talvez contratar a Metra, da Nova Zelândia.

Há quase 90 anos que a BBC usa as previsões do Met Office.

Update: Alguns dizem que, sendo ambos estado, isso não vai ser possível.