sábado, 6 de fevereiro de 2010

Dez frases não dão um contexto



 
http://www.treehugger.com/files/2010/02/greenpeace-uk-not-calling-pachauri-resign.php
http://www.timesonline.co.uk/tol/news/environment/article7014203.ece

“Mistakes will always be made but it’s how you handle those mistakes which affects the credibility of the institution. Pachauri should have put his hand up and said ‘we made a mistake’. It’s in these situations that your character and judgment is tested. Do you make the right judgment call? He clearly didn’t.” 

“The IPCC needs to regain credibility. Is that going to happen with Pachauri? I don’t think so. We need someone held in high regard who has extremely good judgment and is seen by the global public as someone on their side.

If we get a new person in with an open mind, prepared to fundamentally review how the IPCC works, we would regain confidence in the organisation.” 

Não traduzo, porque já tinha traduzido parte aqui.

Acontece que o Greenpeace acha que estas dez frases, em três parágrafos, foram tiradas do seu contexto, e que na realidade significam que o Sr. John Sauven, director do Greenpeace UK, quer que Pachauri continue como director do IPCC.


Branco é preto. Preto é branco. Frio é quente. Mil e-mails não dão um contexto. Dez frases também não.

Cada vez menos fiéis




A BBC publicou ontem uma sondagem. Graficamente, é isto, e nem vale a pena dizer mais nada. Da sondagem amarela para a azul passaram dois meses.
Entretanto, os "cientistas climáticos" queixam-se que já ninguém acredita neles, mas que fazem muito mal porque vão todos morrer afogados.


Gastos dos ingleses com AGAC



O impagável North foi ver quanto dinheiro se gastou a financiar investigação sobre (a favor de!) Aquecimento Global Antropogénico Catastrófico nos UK.

Não é pouco. Viu a base de dados de uma única agência, a DEFRA (Department for Environment, Food and Rural Affairs), e quanto tem pago ao Met Office Hadley Center para adivinhar o clima.
De 1990 a 2007 foram 146.275.582 libras (167.507.085 euros).
De 2007 a 2012 estão a ser pagos 72.536.724 libras (83.065.232 euros).
Além disso, ainda paga overhead e dinheiro para projectos específicos.
A despesa total do DEFRA com o Hadley Center, para adivinhar o clima (1990-2012), é de 243.620.197 libras (278.981.006 euros, cerca de 279 milhões de euros).
Comparado com os restantes financiamentos, nem é nada.
Comparado com os milhares (não é milhões) dados pela petrolífera Exxon à investigação dos cépticos, é uma enormidade.
E os resultados estão à vista de todos.


IPCC: mais um recorte de jornal



Por este caminho não temos descanso. Todos os dias é mais uma ou duas barracas.

Pois o IPCC lá citou mais um artigo de jornal (dos muitos de que já se falou aqui e noutros lados).

O WGIII, secção 8.4.5, diz que a agricultura dá emprego a 1,3 mil milhões de pessoas, e cita a referência Dean, 2000.

A referência Dean 2000 é "Dean, T., 2000: Development: agriculture workers too poor to buy food. UN IPS, New York, 36 pp.".

UN IPS é United Nations Inter Press Service. Citaram um press release das Nações Unidas (quase deles próprios), nem sequer um artigo de jornal.

Esse comunicado à imprensa foi procurado pelo Air Vent e encontrado aqui.

O título mencionado na referência acima está incompleto. O título completo é "Agriculture Workers Too Poor to Buy Food, Say Unions". Trabalhadores agrícolas demasiado pobres para comprar comida, dizem sindicatos.

não é a mesma coisa. Já é manipulação desonesta de informação.

O comunicado de imprensa cita o número de 1,3 mil milhões apenas num sítio:

"Currently, 1.3 billion people (out of a world population of about 6 billion) work in agriculture-related jobs, 450 million of whom are waged agricultural workers."

Em lado nenhum aparece onde foram buscar os 1,3 mil milhões. Não há referência.

O Air Vent procurou mais e encontrou um relatório da ONU mais recente (2005) aqui. Menciona 1,1 mil milhões de trabalhadores rurais na página 24, entre pagos (450 milhões) e não pagos.

Ainda que o relatório tenha referências (uma grande parte é "personal communication from...", ou seja, cartas, e-mails, conversas), essa afirmação também não tem referência.

Pergunta-se, ainda, porque é que o IPCC citou um comunicado de imprensa antigo, tendo um relatório mais recente -- mas ambos sem referências.



Ministro holandês encontra mais um erro do IPCC


O ministro holandês do ambiente está aos gritos porque o IPCC disse que 55% da Holanda estão em risco de submersão.

Acontece que o IPCC pegou na área abaixo do nível do mar e somou-lhe a área alagável para obter os 55%. Mas a área alagável e a que está abaixo do nível do mar sobrepoem-se, pelo que a área total sujeita a submersão é cerca de metade.
Só 20% da superfície é feita de polders abaixo do nível do mar e que são bombeados.
Como dizia um comentador, metade de um geógrafo era suficiente para saber que 55% da Holanda abaixo do nível do mar era um número errado.
Um parlamentar pergunta ao governo holandês como é que estes números puderam ser usados para decidir política nacional.


O janeiro mais quente desde 1979




As temperaturas da série UAH mostram que este janeiro foi o mais quente desde 1979, quando se iniciaram as medições por satélite.
Aparentemente, grande parte do calor deve-se à temperatura da superfície do mar.

Se nos lembrarmos que o conteúdo calorífico total do mar tem estado estável, perguntamo-nos como é isto possível.
A resposta mais simples é que nada há, que seja homogéneo (ou imutável), na Terra: o mar, ou a atmosfera, não são misturas perfeitas. Daí, é possível que exista uma camada de água mais quente à superfície, e de águas mais frias por baixo.
A resposta mais difícil é que até acertarmos com as medições de temperatura ainda temos muito que andar...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Mar muito, muito morto

 


Desculpem - eu sei que não tem a ver com o assunto do blog.

 

Índia vai ter o seu próprio painel sobre alterações climáticas


O Ministro do Ambiente Jairam Ramesh anunciou hoje que, dadas as falências do IPCC, do qual já não pode depender, a Índia irá ter o seu próprio grupo de estudo de alterações climáticas, o Indian Network on Comprehensive Climate Change Assessment.

 "Há uma fina linha divisória entre a ciência do clima e o evangelismo do clima. Sou a favor da ciência e contra o evangelismo."

Acrescenta que a Índia tem problemas relacionados com o clima, como seja a retracção de glaciares, que tem de resolver.
Uma das finalidades do INCCCA é desenvolver a sua própria pesquisa científica.


Austrália forma Partido dos Cépticos do Clima

 

http://www.climatesceptics.com.au/

Um conjunto de australianos criou um partido político que vai concorrer às próximas eleições.

Diz que o AGAC é  a maior fraude maciça e histeria de massas da civilização moderna, e que considera que os políticos devem basear-se em factos e não emoções.

Apoia todos os meios de prevenir a degradação ambiental e o desenvolvimento de fontes de energia limpas e renováveis.

Pretendem o debate, mas consideram que todas as tentativas para reduzir as emissões de carbono, especialmente através e impostos e esquemas de quotas é não só inútil como um custo adicional imposto à população.

 

Mais uma listagem de artigos que não apoiam o AGAC



http://www.populartechnology.net/2009/10/peer-reviewed-papers-supporting.html

O site Popular Technology mantém uma lista actualizada (pelo menos até agora) de artigos científicos que não apoiam o ponto de vista minoritário, chamado consensual, sobre Aquecimento Global Antropogénico Catastrófico.

 

"Fuligem" é que derrete glaciares nos Himalaias




Os glaciares dos Himalaias estão a retrair-se: ninguém discute isso (releia-se o estudo de Raina).
Menon e outro publicaram o artigo “Black carbon aerosols and the third polar ice cap” em que defendem que os aerossóis são um factor muito mais determinante da retracção dos glaciares dos Himalaias que o CO2, contribuindo em pelo menos 90% para o efeito, e as partículas contendo carbono em pelo menos 30%.
As nossas simulações mostram que os gases de estufa, por si sós, não chegam para ser responsáveis pelo derreter da neve.”
As variações em precipitação de neve não foram tidas em conta. Esta reduziu-se em média 16% na região, entre 1990 e 2000 e é essencial para a manutenção dos glaciares.
Fazem notar que é muito mais fácil controlar as emissões de “fuligem” que de CO2, embora usem para a vida do CO2 na atmosfera o valor de 100 anos, que apenas o IPCC defende, contra mais de uma dezena de autores.



Update: Richard North faz notar que este artigo mostra como a concentração da atenção no CO2, que não tem nenhuma utilidade prática, tem feito esquecer a verdadeira poluição e que, na sua opinião, isso é Mal em estado puro.




IPCC rejeita sumariamente




Falta qualquer coisa no título deste post, não falta? No press release do IPCC também falta (atenção, que o link não é permanente, por isso copio aqui). E diz:

Recent media interest has drawn attention to two so-called errors in the Fourth Assessment Report (AR4) of the IPCC, the first dealing with losses from disasters and the second on the subject of Amazon forests.  The leadership of the IPCC has looked into both these instances and concluded that the challenges are without foundations. In neither case, did we find any basis for making changes in the wording of the report. We are convinced that there has been no error on those issues on the part of the IPCC. We released a statement about the disaster issue. As far as the second subject dealing with the Amazon is concerned, again, the IPCC has valid reasons for publishing the text as it stands in the report.

In response to these baseless charges, we have decided to provide details on the manner in which the IPCC has implemented its principles and procedures.  These are the foundations that provide assurance on the validity and accuracy of statements made in the AR4. “

Resumo: os jornais chamam a atenção para dois supostos erros nossos. A direcção olhou para ambos e conclui que nenhum tem fundamentos. Em nenhum caso encontramos razões para alterações, e estamos convencidos que não houve nenhum erro. Quanto ao primeiro caso (danos por desastres naturais), fizemos uma declaração. Quanto ao segundo caso (Amazónia), temos razões para publicar tal como está. Aproveitamos para publicar detalhes sobre os nossos princípios e procedimentos, que garantem a segurança da validade e precisão das nossas afirmações.
O que se resume a “rejeitamos sumariamente as vossa afirmações sem fundamentos e não damos razões”.



A tal declaração diz, resumindo: O Sunday Times enganou-se em duas coisas: achou que uma pequena secção é tudo o que o IPCC tem a dizer sobre desastres. Na realidade, o IPCC chega a umas conclusões importantes. O IPCC faz observações do passado e projecções para o futuro em muitos sectores. Cada uma é uma cuidadosa avaliação das indicações existentes. O segundo problema é o ataque sem fundamentos que nos faz o Sunday Times. A secção de perdas económicas é um tratamento equilibrado de assuntos importantes. Diz claramente que um estudo diz que sim, que aumentam as perdas, mas que outros dizem que não. O tom é equilibrado e tem palavras de cautela. Ao escrever, rever e editar esta secção, os procedimentos foram cuidadosamente seguidos para produzir avaliações adequadas à prossecução de políticas como é mandato do IPCC.
Mas isto, espremido, diz o quê? Que o Sunday Times não tem fundamentos, "e prontos"; e que fizemos tudo certinho, e que os nossos rebuçados são os melhores.


Os procedimentos, ah, os procedimentos. São duas páginas de publicidade épica sobre como o IPCC é grandioso, sem um único conceito lá dentro.
Porque é que temos de ser continuamente insultados por esta gentinha?



Greepeace quer Pachauri na rua; cépticos preferem que fique





John Sauven, director do Greenpeace UK, diz: “O IPCC precisa de recuperar credibilidade. Isso vai acontecer com Pachauri? Penso que não. Precisamos de alguém estimado, que tenha uma muito boa capacidade de julgamento e seja vista pelo público global como estando do seu lado.
Se tivermos uma nova pessoa, com um espírito aberto, preparada para rever fundamentalmente como funciona o IPCC, recuperaríamos a confiança na organização”.
Pachauri diz que tem a credibilidade que lhe advém de ter sido eleito e lhe ter sido confiada a elaboração do AR5 (2013), que tenciona concluir.
A posição dos cépticos é a contrária, claro: deixem lá estar o Pachauri, que enquanto lá estiver, maior é o estrago.
Bob Ward, do Grantham Institute on Climate Change, diz que mudar Pachauri não vai necessariamente restituir credibilidade ao IPCC.

IPCC: as referências frouxas



O blog Climatequotes está a manter uma lista de referências inaceitáveis usadas no AR4 do IPCC.
Desde o célebre manual de limpeza de botas, a teses de mestrado e doutoramento (incluindo as que nunca foram publicadas), passando por recortes de jornais e o WWF e o Greenpeace, tudo muita ciência, muito robusta, muito peer-reviewed.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

RealClimate inactivo?


O último post no RealClimate é de 29 de Janeiro. Há cinco dias. Não parece normal.

O que se passará? Querem ver que proibiram o Gavin de usar o computador do trabalho para escrever artigos no blog dele?

Preço da energia nos UK continuará a disparar





A Ofgem, reguladora da energia nos UK, diz que, se por um lado a falta de reforma no sistema de energia poderá causar falta de electricidade em 2015, diz também que as contas de electricidade e gás poderão subir para 2000 libras (2280 euros) se nada for feito.
Continuar como está não é uma opção devido à crise internacional, à obsolescência das centrais e às exigências da EU sobre emissões (não dizem, mas é de SO2).
Adianta ainda que o aumento de custos leva a que cada vez mais consumidores já não possam ter os níveis de energia adequados.
Infelizmente, todos sabemos que qualquer energia renovável é mais cara que as convencionais. Os ingleses vão pagar o custo disso nas tais contas de electricidade que já têm dificuldade em pagar.
Ao mesmo tempo diz ser necessário um preço mínimo do carbono, mesmo que seja só para os UK se a UE o não fixar (haja negócio!).

Mann ilibado de 3 dos 4 motivos de investigação




Terminado o inquérito preliminar a Mann, o relatório que saiu hoje iliba-o de três das quatro “acusações” e mantém uma, a existência de dúvidas sobre a conduta científica, no geral, de Mann, o que, dizem, pode lançar dúvidas sobre a integridade da investigação no geral e da “ciência climática” em especial.
Assim, recomendam uma investigação feita por outros, que sejam investigadores, e não por funcionários, como esta foi.
Mann foi ilibado de supressão e falsificação de dados, destruição de elementos relativos ao AR4, e uso de informação privilegiada (insider information).
A decisão baseou-se quase exclusivamente na leitura dos e-mails do Climategate escritos por Mann e nas suas respostas aos funcionários que fizeram o inquérito. Aparentemente, só mais duas pessoas, ligadas à revista de divulgação Science, foram ouvidas.
Um comentador algures compara a situação com mandar três capitães dos SS investigar o Himmler.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Geradores eólicos do Minnesotta parados devido ao frio




 
Apesar do líquido próprio para o frio, a parte hidráulica do geradores eólicos deixou de funcionar devido ao frio.
Onze geradores por 3,3 milhões de dólares.

IPCC também se fundamenta em artigos de jornal




E quando acabará o rosário de referências ridículas na ciência consensual, inegável, robusta e peer-reviewed do IPCC? Já disse que não são difíceis de encontrar.
Mas enfim.
No AR4, WGII, capítulo 14, secção 4.6 que está aqui, afirmam os cientistas do IPCC na caixa 14.3: “Energia eléctrica de pouca confiança, tal como em bairros de minorias durante a onda de calor de Nove Iorque de 1999, pode aumentar as preocupações sobre saúde e injustiça ambiental”.
A afirmação é conjectural e tem um claro ar de tentativa alarmista social.
A referência dada é Wilgoren and Roane, 1999 (que pode ser usada para pesquisar no documento).
Indo às referências e procurando Wilgore, obtem-se “Wilgoren, J. and K.R. Roane, 1999: Cold Showers, Rotting Food, the Lights, Then Dancing. New York Times, A1. July 8, 1999”.
Desculpe? New York Times? É que nem sequer no New Scientist?
O artigo é este, se quiserem lê-lo.
O IPCC cita seja o que for, mesmo que não diga o que o IPCC diz que diz.

Update: O nosso inestimável colega ecotretas nota que também é citado o Seattle Times, aqui: Welch, C., 2006: Sweeping change reshapes Arctic. The Seattle Times. Jan. 1 2006.
 Diz respeito à secção 14.4.8 e documenta a afirmação "While the season for transport by barge is likely to be extended, the season for ice roads will likely be compressed". Parece ser uma afirmação anódina, a não ser para quem prefira estradas de gelo (ou deteste atravessar rios em canoas). Talvez pudessem evitar esta vergonha.

AGAC recebe estatuto de religião nos UK




(AGAC: Aquecimento Global Antropogénico Catastrófico).
Não resumo, é demasiado surreal. Leiam.

IPCC cita manual de manutenção de botas como prova de aquecimento global




Parece impossível. Mas é verdade.
O IPCC diz, aqui, que (AR4 2007, WGII, cap. 15.7.2): “Os múltiplos stresses das alterações climáticas […] necessitaram que fossem implementadas linhas de orientação estritas de descontaminação da roupa para os turistas que desembarcam na Península Antártida (IAATO, 2005)”.
A IIATO é a International Association of Antarctica Tour Operators, uma associação de operadores turísticos.
A referência, IIATO 2005, é (ATCM) XXVIII. IAATO, que está aqui nesta lista.
Trata-se deste documento, que propõe medidas de descontaminação bacteriana de roupa e calçado para não serem importadas doenças.
Em ponto nenhum desse documento se fala de temperatura, alterações climáticas, aquecimento global, nada. Nada. Vão ver.
Trata-se de mais uma mentira descarada e de uma referência bibliográfica que além de ridícula, é falsa.
A ciência robusta e consensual do IPCC é deste quilate.

 

Terminou o inquérito a Mann na Penn State




O inquérito a Michael “Hockey Stick” Mann na Penn State University terminou ontem, e o resultado será conhecido dentro de uma semana.
Steve McIntyre acha estranho, uma vez que tinham dito que iam olhar a situação de todos os lados, mas não co contactaram. McIntyre, como é sabido, foi quem expôs a frade do stick de hóquei de Mann. E também não sabe de nenhuns leitores do seu blog (que não são todos zés-ninguéns) que o tenham sido.
A situação é considerada suspeita e o inquérito aparenta ser uma operação de branqueamento.
Alguns alunos da Penn State vão manifestar-se contra a forma como a universidade conduziu o inquérito, por acharem tratar-se de uma violação da integridade científica, e de um inquérito sem pessoas do exterior.


O estranho caso dos termómetros movediços




Não é o primeiro caso de termómetros desaparecidos ou movediços, e não é assunto novo: acontece só que ainda não tinha escrito sobre este caso aqui.
Trata-se das 49 estações meteorológicas chinesas que não têm localização nenhuma.
Em que se incluem 40 das 42 estações rurais.
Num dos casos, a estação foi mudada cinco vezes, e percorreu 41 quilómetros.
Wey-Chyung Wang, co-autor, diz que tinha as localizações das estações, ma já não consegue encontrá-las.
As estações estão envolvidas num estudo de Phil Jones e Wey-Chyung Wang sobre o efeito de ilha de calor urbana, em que conclui que o efeito de ilha urbana total é de cerca de um décimo do valor para a subida de temperatura, ou seja, negligível. Ora, não é essa a opinião de outras pessoas.
No entanto, Phil Jones recusou-se a divulgar os dados sobre estas estações até 2007.
Em 2008, Phil Jones escreve um novo paper (doi:10.1029/2008JD009916) para o Journal of Geophysical Research, em que conclui: “O aquecimento relacionado com a urbanização na China é de 0,1 ºC por década no período de 1951 a 2004, enquanto que o aquecimento climático verdadeiro produziu 0,81 ºC nesse período”.
Então, ao longo desse período, o aquecimento por efeito de ilha urbana foi de (2004-1951)/10*0,1 ºC= 0,52 ºC, e o aquecimento verdadeiro foi de 0,81 ºC.
Ou seja: não é negligível. E contradiz afirmações do IPCC, que se basearam no paper anterior de Phil Jones.

Update: porque é que este assunto não é novo:
Update 2: o paper de Jones de 2008 parece nunca ser citado pelos partidários do AGAC. Todos se ficam pela versão anterior, e tenho visto isto mais que uma vez. Deve haver uma razão?


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Ilhas urbanas



Num paper publicado no Journal of Geophysical Research em Agosto de 2008, Phil “Climategate” Jones identifica um efeito de ilha de calor urbana na China.
Esse efeito é igualmente encontrado no Japão, segundo um artigo publicado no International Journal of Climatology. O mesmo autor tem o PDF duma comunicação num congresso.

Um documento da NASA para a imprensa diz que a maior parte do aquecimento na California se deve ao efeito de ilha de calor urbana.
Etc., etc., etc. Há montes disto.
Um paper publicado recentemente diz, no entanto, que as estações mal situadas provocam... uma redução na tendência de aumento de temperatura (com uma resposta de Anthony Watts aqui).

Patético.




O tal estudante de mestrado, Schwörer, que o IPCC cita como fonte científica, não afirma o que o IPCC diz que afirma! Pelo contrário, afirma, na sua dissertação, “Quanto é que as mudanças observadas indicam uma alteração global do clima é uma coisa que só pode ser adivinhada e só se verá no futuro” (nas conclusões). Ora, para o IPCC, isto é uma prova incontroversa de aquecimento global com base em ciência sólida e irrefutável!
Por favor, poupem-me!
No restante da sua dissertação, Schwörer faz várias afirmações do tipo, “Se nos basearmos nos cenários de alterações climáticas do IPCC, então...” mas nada mais para além disso. Ou seja, o IPCC cita como fonte científica incontroversa quem o cita como eventualmente podendo estar certo.
Entretanto, o bom do Schwörer, que até estou em crer não meteu nisso prego nem estopa, é descrito na imprensa como sendo um conhecido perito em alterações climáticas nos Alpes! Aqui, e aqui.
Até se fica tonto de tanta referência circular. Alice no País das Maravilhas, de facto.

Revista indiana faz capa da fraude




Os indianos não têm estado a gostar nada do Pachauri e não lhas poupam.
A revista indiana Open faz capa da fraude do aquecimento global, e abre o artigo citando Alice no País das Maravilhas.
Nunca tão poucos enganaram tantos durante tanto tempo -- nunca.”

Agora falta o oxigénio




Estava previsto.
A ecologia é uma indústria de que dependem milhões de pessoas, não só as organizações de activistas, como políticos, financeiros e jornalistas do ambiente.
Ora, não podemos deixar as coisas sem um bom susto que faça com que as suas existências e proventos estejam justificados.
Acabando o susto do CO2 (está longe de ter acabado, mas os assuntos actuais não caem no molde do costume), previam-se dois novos sustos: os plásticos e a falta de oxigénio.
Assim, o Times Online traz hoje esta notícia: Como podem os seres humanos remover o oxigénio dos mares e matar toda a vida neles? É preocupante a nível mundial a queda dos níveis de oxigénio na água do mar. Há indicações de uma queda do nível de oxigénio, e já se fizeram medições. Os cientistas dizem que o conteúdo de oxigénio dos mares pode cair até 7% até ao fim do século, etc., etc. as coisas do costume. Ver também uma pesquisa por termos.
Mesma história. Se não for uma coisa, tem de ser outra, mas paguem-me.

 

domingo, 31 de janeiro de 2010

Oceanos não aquecem desde 2004



O US National Oceanographic Data Center reviu neste mês os seus dados e reduziu ainda mais o conteúdo de calor dos oceanos até à profundidade de 700 m (de que a temperatura é uma medida).

A nova revisão afecta os anos de 2007 e 2008 e produz, com os primeiros seis meses de 2009, uma tendência estacionária.

Um ressalto enorme, de 2002 para 2003, coincide com a introdução de um novo método de medição, as bóias Argo. Não pode ser visto no gráfico abaixo, que começa nesse ano.

 

Neste gráfico, a encarnado está  a medição actualizada, e a azul a projecção feita com o modelo do GISS da NASA

Mea culpa: Como se pode ver neste meu post, fui pouco claro. Dizer que os oceanos não aquecem, tal como disse aqui, não está errado. Só que umas partes aquecem, enquanto outras talvez arrefeçam. Estou sempre a esquecer-me que nem o mar nem a atmosfera são misturas perfeitas.



Já ninguém sabe das temperaturas

http://sppiblog.org/news/%E2%80%9Chorrifying-examples-of-deliberate-tampering-with-the-temperature-data%E2%80%9D#more-786
http://scienceandpublicpolicy.org/images/stories/papers/originals/surface_temp.pdf

Os exemplos de mau uso, deliberado ou não, de dados de temperatura são tantos que já não se pode, neste momento, fazer nenhuma afirmação sobre temperaturas.

Ver também este, entre outros posts.

 

Também os japoneses estão pouco convencidos do aquecimento global

http://www.theaustralian.com.au/news/japanese-scientists-cool-on-theories/story-e6frg6t6-1111119126656

Numa reportagem de Março de 2009, o The Australian diz que, durante um inquérito feito no decurso do Simpósio Japonês de Geociências de 2008, 90% dos cientistas respondentes “não acreditam no relatório do IPCC” de 2007.

Diz o dr. Maruyama, que estuda climatologia pré-histórica, que as principais influências para as alterações climáticas são os raios cósmicos e a actividade solar.

O dr. Kanya Kusano diz achar que os efeitos antropogénicos são apenas uma das hipóteses para explicar a variabilidade do clima, e que poderiam ser necessários mais 20 a 30 anos para provar ou refutar a teoria antropogénica.

A afirmação que as temperaturas da atmosfera poderão aumentar continuamente deve ser entendida como uma hipótese que não pode ser provada, diz Kusano.

Antes que se tivesse dado por isso, esta hipótese substituiu a realidade”, diz o dr. Shunichi Akasofu, fundador do International Arctic Research Center da Universidade do Alaska.

Temperaturas: o IPCC e os outros modelos

 

http://landshape.org/enm/moncktons-argument/

O Niche Modelling apresenta uma comparação das projecções de temperatura do IPCC e de outros modelos.

Mais erros do IPCC: sede, fome, malária e a parcialidade bombástica

http://wattsupwiththat.com/2010/01/25/the-ipcc-more-sins-of-omission-%E2%80%93-telling-the-truth-but-not-the-whole-truth/

Anthony Watts menciona aqui alguns erros do IPCC, sobre a fome e a malária, muitos conhecidos. Os erros tendem a ser esquecer-se de mencionar o outro lado.

No que respeita a água, menciona, como muitos outros, que se algumas populações irão ficar com dificuldades, as que vão deixar de tê-las são incomparavelmente mais.

No que respeita à fome, o estudo mostra que muito ficarão sem comida com aquecimento global; mas o IPCC não menciona que muitos mais ficarão igualmente à fome com ou sem aquecimento global. Aqui, o problema é mesmo a fome, e não o aquecimento global.

No que diz respeito à malária, refere, entre muitas coisas, quase o mesmo que para a fome: a população em risco com aquecimento global é menos que sem aquecimento global.

Em resumo, a contribuição do AGAC para qualquer aumento da fome ou da malária é mínimo, e no que respeita à falta de água, irá reduzir o risco.

Curiosamente, o autor de um dos estudos, Parry, era presidente do WG2 do IPCC que chegou a estas conclusões, pelo que decidiu, pelos vistos, eliminar parte do seu próprio trabalho!

Extinções? Nem por isso

http://landshape.org/enm/ipcc-omissions-on-species-extinctions/

O autor do Niche Modelling discorda do IPCC quando diz que o aquecimento reduz os habitats adequados às espécies.

O autor do NM diz que não, que os desloca para Norte (no Hemisfério Norte) e Sul (no Hemisfério Sul), mas que a área se mantém constante.

Mais: que se encontrou que a reacção das espécies às alterações climáticas ou não é nenhuma, ou é a expansão do seu território.

Acusa ainda os autores do artigo em que se baseia o IPCC de escolher dados; os autores referem apenas as espécies cujo habitat diminui, e não referem aquelas cujos habitats aumentam.

Climategate: poster cronológico actualizado

http://joannenova.com.au/2010/01/finally-the-new-revised-and-edited-climategate-timeline/

Joanne Nova apresenta o grande poster cronológico do Climategate, revisto, corrigido e aumentado.

Vapor de água responsável por 1/3 do aquecimento: e também é um termostato

http://www.sciencemag.org/cgi/content/abstract/science.118248

http://www.guardian.co.uk/environment/2010/jan/29/water-vapour-climate-change

http://theresilientearth.com/?q=content/its-water-vapor-stupid

O Guardian relata que a cientista do clima Susan Solomon, do US NOAA, co-presidente do relatório do IPCC de 2007, publica hoje na Science (requer assinatura) que o vapor de água na atmosfera alta (16 km) tem um papel determinante nas alterações climáticas.

Segundo um modelo, quase um terço do aquecimento na década de 1990 deve-se a vapor de água e não à emissão de (outros) gases de estufa.

Solomon diz que o seu artigo não prejudica o consenso do costume, mas que sugere a necessidade de os modelos considerarem o vapor de água (o que nunca fizeram, ao que parece, e muito menos as nuvens).

O vapor de água na estratosfera diminuiu inexplicavelmente 10% desde 2000. Introduzido este dado num modelo, este sugere que a descida do vapor de água pode ter reduzido em 25% o efeito total dos gases de estufa desde então.

Esta estabilização ou descida da temperatura não tem sido explicada pelos modelos.

Solomon conjectura que um maior aquecimento poderá reduzir o vapor de água estratosférico ainda mais, fornecendo assim um mecanismo de regulação da temperatura.

O papel do vapor de água na temperatura da terra, quer aquecendo como gás de estufa, quer arrefecendo através das nuvens que aumentam o albedo (reflexão), tem sido indicado há décadas por cientistas que apontam que o vapor de água tem sido completamente ignorado pelos modelos usados pelo IPCC; mas que, no entanto, é um factor muito mais determinante da temperatura que estes.

Pachauri mente, e remente: sabia dos glaciares antes de Copenhaga

http://www.timesonline.co.uk/tol/news/environment/article7009081.ece

http://www.guardian.co.uk/environment/2010/jan/29/ipcc-rajendra-pachauri-glaciers

O Times reporta que Pachauri sabia que a afirmação do IPCC sobre os glaciares dos Himalaias derretidos até 2035 era falsa antes da cimeira de Copenhaga.

Pallava Bagla, jornalista da Science, falou do erro a Pachauri em Novembro, ao que este respondeu que não tinha mais nada a acrescentar sobre glaciares.

Repete Pallava esta semana: “Apontei-lhe o erro em vários e-mails antes de Copenhaga, mas decidiu ignorá-lo.”

Entretanto, dizia que o relatório de Raina que mostrava, em Novembro, que a retracção dos glaciares dos Himalaias era muito menor não passava de ciência vudu.

Recentemente, sobre este assunto, Pachauri diz que “é ridículo. Nunca soube disso antes da cimeira de Copenhaga. Não estava na esfera pública.” O que são mentiras descaradas.

Richard North sugere que, para além da Cimeira de Copenhaga, uma outra boa ocasião para fazer Pachauri esquecer-se era esta, onde o lemos a recitar a cassette glaciar habitual.

IPCC: mais vergonhas

http://www.telegraph.co.uk/earth/environment/climatechange/7111525/UN-climate-change-panel-based-claims-on-student-dissertation-and-magazine-article.html

O Telegraph reporta que as afirmações do IPCC sobre a perda do gelo em montanhas dos Andes, Alpes e África têm por referências uma tese de mestrado da Universidade de Berna (Dario-Andri Schworer, guia de montanha e activista pró-aquecimento global), que refere entrevistas com guias de montanha do Alpes, e um artigo numa revista de montanhismo, que referia a opinião pessoal de montanhistas (Mark Bowen , Climbing Magazine, 2002). Esta:

Excelente exemplo do elevado nível de trabalho em termos de qualidade das referências científicas, e de uma ciência robusta e inegável.

O Prof Richard Tol, um dos autores do relatório, diz que isto é, essencialmente, uma colecção de relatos isolados, e pergunta-se porque é que o IPCC fez isto.

Não há forma de os actuais montanhistas e guias de montanha darem testemunhos isolados que remontem a 1900, pelo que o que dizem é um disparate total”.

As afirmações do IPCC estão numa tabela chamada “Selected observed effects due to changes in the cryosphere produced by warming".

O IPCC, como temos visto, usou demonstradamente fontes não científicas (WWF, Greenpeace, telefonemas) também quanto a outros assuntos, como os glaciares dos Himalaias, a Amazónia e os corais.

Apesar de isto mostrar que os relatórios do IPCC não ultrapassam o nível de um (mau) trabalho de grupo do secundário, Pachauri não hesita em insultar quem contradiz o IPCC e dizer que os que o contradizem não passarem de cientistas vudu.

O IPCC não tem respondido a estas questões, exceptuando a dos Himalaias, mas tem insistido que apesar de erros menores, o relatório é robusto e consistente com a ciência subjacente.

Que ciência subjacente?